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Onde está o respeito?


Respeito. Substantivo masculino oriundo do latim respectus. Sentimento positivo. Ação ou efeito de respeitar, apreço, consideração. E, a base de uma sociedade civilizada.

É através do respeito que conseguimos conviver com pessoas que pensam diferente, e sem ele, perdemos a base da democracia e caímos em ditaduras. Mas Júlia, o que respeito tem a ver com mobilidade urbana? Eu te explico, caro leitor.

Como mudar os hábitos de uma cidade que não presa pelo respeito de se locomover? Os carros não respeitam os ônibus, que não respeitam os ciclistas, que não respeitam os pedestres e por ai segue um looping sem fim de pessoas se locomovendo desgovernadas, o que causa acidentes e stress no trânsito. O problema ainda se agrava quando quem administra a cidade não investe em mudanças na organização mobilística.

Em Goiânia já foi implantado faixas exclusivas para ônibus, mas te pergunto, são todos os motoristas que as respeitam? E a fiscalização, acontece? O caos do trânsito goiano é não somente falta de infraestrutura, ou seja, faixas exclusivas para ônibus, e bicicletas, como calçadas decentes que permitem que o pedestre – tenha ele deficiência ou não se locomova com dignidade, falta respeito.

E só se conquista respeito com educação. A falta de investimento na educação pública não inclui somente boa estrutura e o ampliação de vagas, mas mudança na grade curricular, que não ensina e nunca ensinou educação mobilística. A educação de trânsito fica exclusiva para quem quer tirar carteira de motorista, porém, isso impede que as pessoas que não tem condições de ter um carro/moto saiba as leis de trânsito, e pessoas que usam meios alternativos de transporte não tem acesso a essa informação.

Se não existe um investimento por parte do governo de informar as pessoas sobre como funciona a sociedade em quesito de transporte, como elas deveriam saber disso? Sem contar que a grande mídia também não toca no assunto de mobilidade.

As mudanças na organização do transito tem que vir com educação, senão de nada adianta. As pessoas vão continuar achando que faixa exclusiva para ônibus é perda de tempo, porque elas nem se quer entendem que optar pelo transporte público é uma ação que favorece o transito e o meio ambiente. Ônibus em Goiânia é coisa de pobre, de quem não tem dinheiro pra comprar um carro. E isso, é além de falta de respeito, falta de educação civil.

Continuo a dizer que mudar nossa forma de locomover é uma ação política, pois conscientiza as pessoas de que a cidade é um lugar do cidadão, que tem direitos e deveres, e inclusive, um desses direitos é lutar por uma cidade mais acessível e digna para todos. Respeito é a base de uma democracia saudável, que inclui uma sociedade que tem acesso à educação, saúde e transporte de qualidade. Que pena que nossos governantes não pensam no povo.

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