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  • Marcus Vinícius Beck

Epístola do bebum


Amigo boêmio, segue a epistola do bebum. A partir de agora não é permitido qualquer tipo de manifestação sóbria, e é de fundamental importância refrescar o vernáculo todos os dias ouvindo Bruno e Marrone naquele boteco da esquina. A tradicional bebedeira tem de ser mantida, nem que para isso seja preciso emprestar R$ 60 do amigo e fingir que irá pagar depois.

“Amor bandido e solidão é uma ressaca”, ressoa a famosa canção da dupla Bruno e Marrone pela jukebox. Essas máquinas são um dos amores de minha vida, ainda que sejam tidas como ultrapassadas pela geração smartphone que se delicia com inúmeras músicas a um clique de distância. Todavia, duvido honestamente de que alguém tenha parado alguns minutos para curtir o som de Wando ou Odair José. Pobre geração.

Seu Leandro, traz mais uma e não esqueça daquele bolinho de carne, eu pagarei dessa vez, prometo. Um brinde aos homens que possuem nervos de aço, como cantou o nobre Lupicínio, com quem aprendi a escorar os cotovelos no bar. Um brinde para todos os sofredores deste mundão de meu Deus.

A semana começou com jogo do Vila Nova contra o Guarani. Na terça-feira, o Brasil duelou contra o maior produtor de cocaína do mundo, a Colômbia. Tanto o Tigrão quando a seleção canarinho não saíram do empate, mas os certames serviram como esquenta para o que estava por vir nos próximos dias. A trinca futebol, cenas lamentáveis e birita viriam à tona no feridão.

Thompson Silva, jornalista à lá Hunter Thompson, garante que um homem pode fazer qualquer coisa quando o decreto do feriadão passa a vigorar. “Beck, hoje é sexta-feira no meio da semana, e implica em dia de decreto”, esclarece Silva. “É obrigatório beber hoje”, salienta.

Para que discutir? E eu lá sou besta de fazer isso. Sim, meu caro, tu me ensinaste a não ter vergonha da dor de cada dia, com a frase “nós nunca seremos felizes”. Aliás, a cada pé-na-bunda coloco um brega altíssimo no alto-falante e sinto algumas lágrimas escorrerem pelos meus olhos – quem disse que homem não pode chorar, cacete?

Mais um brinde, amigo. O que tu achas desta minha reles crônica destinada liricamente para quem prefere ficar enclausurado em casa a transar com as moças da casa da luz vermelha e encher a cara – eis o delírio de uma geração que faz tudo com um clique, e esqueceu-se de que embriagar os sentidos é fundamental para o psiquismo.

Embriagar-se é preciso, não importa que horas são, escreveu o poeta Baudelaire, o cara que mudou a poesia no século XIX. Bem, não sei vocês, mas daqui a pouco irei molhar a palavra, pois ninguém é obrigado a ficar o feriadão sem ingerir qualquer substância alcoólica. Tchau obrigado. Até a próxima.

#boêmia #crônica

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