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  • Marcus Vinícius Beck

A notícia mais triste de Goiás


Poderia ser tranquilamente o enredo dos tempos de chumbo, mas é a polícia do coroné Marconi Perillo (PSDB). Poderia ser genuinamente a trama de um livro-reportagem de Elio Gaspari sobre a ditadura, mas são as páginas dos jornalões do estado que encobrem os ratos da máquina pública, e descem a lenha por meio de seus lead´s em preto, pobre e gente da periferia. Poderia ser, mas não era.

Não era.

São os velhos métodos da polícia, sim. São os métodos usados pelo Estado, detentor do monopólio da violência, minha cara Hannah Arendt. São as cenas descritas precisamente pelo jornalista Caco Barcellos, em Rota 66 – a polícia que mata há mais de 20 anos. São as velhas retóricas cretinas que embalaram burburinhos à direita na esfera pública, especialmente em época em que negras tormentas não nos deixam ver, tampouco ouvir e muito menos compreender.

São tantas merdas que é difícil eleger uma para ganhar o título da notícia mais triste de Goiás.

Cadê Sabotinha, alguém pode nos dizer? Pelo jeito, não. E, com isso, a família do artista não consegue fechar os olhos para dormir. Para eles, o futuro é algo muito triste. Onde será que ele está? O que ele deve estar fazendo? O que fizeram com ele? São questionamentos inevitáveis, compreensíveis, humanos e tensos. Muito tensos.

Mas quem era Sabotinha? Ah, um sujeito que cantava rap não poderia ser boa coisa, não! Que é isso! Agora deram de defender ladrão? Esse povo dos direitos humanos são um bando de filha da puta mesmo.

Não tenha dúvida: alguém está falando exatamente isso neste momento. No entanto, desde a última a quarta-feira (22), no Setor Colinas de Homero, em Aparecida de Goiânia, quando três homens armados que se diziam policiais militares, mas estavam à paisana, levaram Sabotinha num carro, ninguém da família sabe muito bem o que é paz.

“A gente percorreu delegacia, hospitais e ele não estava lá”, relata o irmão de Kaíque Sabotinha, Kemerson Liberato de Melo. “A gente chegou a registrar ocorrência de sequestro e cárcere privado, e têm três suspeitos até o momento”, explica Melo. Contudo, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que está à frente do caso, não pode passar "maiores informações” à imprensa.

Espero que o coroné Marconi Perillo e o burocrata titular de Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, que se escondem atrás da falsidade e da frieza das estatísticas de redução a violência, atentem para a gravidade, e tragam Sabotinha com vida, do jeito que ele saiu arbitrariamente de sua casa.

Lamentavelmente não há manchete por parte dos comparsas do coroné. E o caso merecia, inclusive uma daquelas ao estilo Nelson Rodrigues, no Última Hora: CADÊ O SABOTINHA? Sim, tem de ser em caixa alta mesmo. São tantas manchetes perdidas e tantos Sabotinhas que ainda seguem morrendo. Por isso, foda-se... é preciso furar o bloqueio da galáxia de gutenberg e do maquiavelismo eletrônico.

Agora deixo com Bertolt Brecht: “A violência faz a ronda e escolhe a vítima, e vocês dizem: “a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando”.

Em caso de informações sobre o paradeiro de Sabotinha, entrar em contato pelo número: (62) 993954184. Dia 30, use a #cadeosabotinha e vamos dar visibilidade nacional pra esse absurdo. Já que a mídia o trata com desdem.

#cadesabotinha #sabotinha #desaparecido #políciamilitar #marconi

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