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Rivotril


Hey caro leitor, suave na nave? Quase que essa coluna de segunda-feira não sai - aparentemente meu corpo vem pedindo arrego... Mas essa semana queria conversar com você que lê os meus textos e explicar um pouco sobre mim, recebo muitas mensagens de pessoas preocupadas comigo rsrs Fiquem calmos! Estou bem! Ufa.

A grande verdade é que essa poeta anarquista se cansou de escrever versos e decidiu escrever em prosa - o que não é novidade pra ninguém. Mas, eu particularmente prefiro postar textos antigos nesse espaço porque eu tenho que parar e abrir os meus cadernos, procurar e na maior parte das vezes acabo reescrevendo meus poemas boêmios.

Então sim, está tudo bem. Às vezes um teor melancólico, surtado e autoquestionador demais é só minha voz aos 16 anos gritando por respostas ao vento. Esse texto em particular é de 2014. Espero que alguém se sinta representado por esse grito em choque de realidades. Até a próxima semana!

Rivotril

Tento para terra voltar, quero com esse planeta me reconectar, parece que sai de meu corpo físico, não pertenço aqui. Me vejo rodeada de imagens projetadas, observo de longe. Vivo em um binóculo.

Quero sentir esse mundo, viver o peso da realidade. Voei para longe com tanto alucinógeno, quero voltar. Sinto falta do meu lar.

Me encontro em uma nebulosa à espera de respostas. Eu danço ao vento, mas meu corpo continua lá, estático. Eu viajo em continentes do meu pensar, mas minha carne adormece, preciso me esforçar para mexer, preciso lembrar de viver.

Apática estou, meus sentimentos não estão em sintonia, não tem intensidade. Me sinto superficial à terra, quero voltar.

Esse caminho que procuro todos os dias, parece nunca terminar, quando voltarei a ser normal? A sensação de aqui não pertencer, de em meu corpo não caber, o que faço eu para isso resolver? Será que existe normalidade?..

Fujo o máximo que consigo do trabalho de me achar, a dor que irá de vir, não quero sentir. Busco à mim, nos outros? Como se achar se tens medo de se encontrar, da verdade revelar?

Vivo em uma desconexão constante dentro de mim. Sobrevivo.

Existo sim, confusa dentro de uma bolha que intercalada com meu corpo vira a própria existência. Olho para o espelho, o que vejo? Reflexo de mim? Não me sinto pertencendo aqui, mas não quero ir embora.

#doceviagem #poesiaemprosa

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