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  • Marcus Vinícius Beck

Vitória ajudou inconsciente coletivo brasileiro


Não é sensato dizer que a seleção brasileira vingou a goleada de 7 a 1 aplicada pela Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, no estádio Mineirão. Mas o torcedor está feliz com o repertório de jogadas apresentado pelo time de Tite na ‘pequena revanche’ que ocorreu nesta semana, no Estádio Olímpico, em Berlim. A vitória magra por apenas 1 a 0, com gol chorado de cabeça do atacante Gabriel Jesus, foi fundamental ao inconsciente coletivo brasileiro, ainda dolorido por conta surra aplicada pelo exército de Kroos e Schweinsteiger.

Em entrevista coletiva após a partida, o treinador da Seleção disse que a vitória resgata um pouco a autoestimam do futebol brasileiro. “Tem esse componente sim, do orgulho próprio”, diz Tite. Ele, que é tido como um dos responsáveis por dar cara nova ao futebol brasileiro, frisou que a vitória lhe deixou bastante satisfeito. “A agressividade na saída de bola adversária foi impressionante, com os homens de frente, os alas e os articuladores. No intervalo, tivemos cuidado para que o time não se desgastasse”.

Desde a semifinal de 2014, foram 3 anos, 8 meses e 20 dias. Se o País virou outro após a traumatizante derrota para a Alemanha naquela ocasião, o reflexo disso passou a ser sentido dentro de campo nos primeiros jogos depois do Mundial. A amarelinha estava machucada, respirando com dificuldade. Torcedores não perdoaram e passaram a comparar a goleada aplicada pelos comandados de Joaquim Low à eliminação da Seleção na Copa de 50, também no Brasil, quando caiu diante do Uruguai, com falha o arqueiro Barbosa. Haja dor.

Aliás, o triunfo sobre a Alemanha foi o primeiro de Tite diante de um dos favoritos para conquistar a Copa da Rússia, que começa em julho. Antes, é verdade, a seleção bateu a Argentina nas eliminatórias, no primeiro jogo disputado no Mineirão após o 7 a 1, quando cumpriu a primeira etapa no processo de expulsar os fantasmas que permeavam tanto o estádio quando a bola jogada pelo escrete verde e amarelo. Mas ainda é cedo para comemorar: Copa é torneio para gigantes.

Nem por isso o pedantismo futebolístico deve virar componente das análises entusiasmadas de boteco. Portanto, se o cara brada que o título Mundial está perto, pertíssimo, suspendam a cerveja dele e mandem-no ir embora. Futebol é coisa séria e Copa do Mundo é época para não se pegar pesado nas piadas, mesmo que o verdadeiro amor de um homem seja sempre o time do coração e não a seleção. “Hoje tem jogo do Brasil e da seleção”, diz Severino José, torcedor vilanovense e corintiano, tendo como profissão e talento o gosto por torcer pelo primeiro. Isto é futebol.

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