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  • Lays Vieira

Mulheres, esportes e preconceito


Infelizmente, ainda temos que conviver em meio a uma sociedade patriarcal, machista, marcada por diversos casos de violência e opressão contra a mulher. Felizmente, nos últimos anos, a crescente afirmação e valorização das diversas diferenças vem melhorando, não ao ponto desejado, mas ainda assim melhor do que a tempos atrás.

Algo importante nesse processo de desconstrução de preconceitos é dar visibilidade, reconhecimento, a esses grupos sociais. Nesse caso especifico, as mulheres. Por isso hoje eu vou contar um pouquinho para vocês sobre um grupo de garotas aqui de Goiânia, que faz um trabalho maravilhoso dentro do mundo dos esportes. Este mundo que apresar de ter atletas incríveis, como a Daiane dos Santos, ainda é marcado por assédios e desvalorização advinda de preconceito.

Em muitos lugares se diz que o Brasil é o país do futebol. Ok, nós somos bons nisso, mas aqui também tem mais, muito mais coisa do que futebol. E eu não estou me referindo a vôlei, basquete ou natação. Nisso nós também somos bons. Eu também não estou falando de ginástica ou surf. O meu foco hoje vai ser um esporte bem menos conhecido aqui nas nossas terras, porém muito, muito, conhecido ao redor do mundo.

O rugby é um esporte coletivo, surgido na Inglaterra, na primeira metade dos anos de 1800. Ele é um “parente” do futebol e do futebol americano (confundem muito esses dois, mas eles são bem diferentes). As duas modalidades mais comuns são os jogos com 15 jogadores em cada time e os com 7 em cada time. Normalmente, em termos nacionais, o 15 é mais comum para os times masculinos e o 7 é mais comum para os times femininos...muito por conta de toda uma construção social em torno do papel da mulher, do que ela deve desempenhar e como deve se portar, do que é “próprio de meninas” vs o que é “próprio para meninos”; pois é muito comum ouvirmos que o rugby é “um esporte violento”, por envolver muito contato, logo seria mais apropriado para homens do que para mulheres. Um engano! Ele é um esporte centrado em diversas regras e valores. Violência é julgar sem conhecer e argumentar com base em estereótipos.

Mas, para a nossa felicidade, em Goiás tem muito desse esporte (no Sudeste ele é muito comum no meio universitário, como na USP, onde existe cerca de dez times, apenas no feminino). Um exemplo é o Goianos Rugby, o primeiro e mais antigo clube a ser fundado no estado, lá em 2006. Inicialmente composto apenas pelo masculino, em 2009 surgiu o seu time feminino. As garotas do Goianos possuem diversos títulos, conquistados com muita garra e dedicação, no seu currículo. No ano passado, por exemplo, elas foram primeiro lugar no Circuito DF-GO-TO de Rugby Sevens, primeiro lugar no Circuito Centro-Oeste de Rugby Sevens e decimo quinto no Circuito Brasileiro (sim, a gente tem um campeonato brasileiro, uma espécie de “Brasileirão” – me desculpem, pessoal do rugby, pela analogia necessária – e uma seleção feminina e masculina que disputam campeonatos ao redor do mundo e inclusive as Olimpíadas).

E por falar em campeonato, esse fim de semana, em Brasília, ocorrera a primeira etapa do Pequi, como é mais conhecido o campeonato regional, reunindo não só jogadoras goianas, mas também de outros estados. Diversas atletas, que se esforçam em divulgar e promover de forma seria esse esporte, mesmo com toda a dificuldade em torno de patrocínios e de preconceitos retrógrados, que hora e outra insistem em dar as caras e que devem ser combatidos (seja no esporte ou em qualquer outro meio).

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