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  • Júlia Lee

Pílula azul


Entre polos distraídos com as vozes da mente conturbada, me perco no abismo da realidade ofuscada por golpes em ascensão. Não vejo alternativa ao ódio alimentado pela liberdade senão a luta que grita incessantemente pelas entranhas de meu revirado estômago pela morte planejada de pessoas resistentes a opressão velada.

Sinto insegurança ao andar pelas esquinas, não vejo mais cabelos ao vento de gente jovem reunida, afinal, na parede da memória essa lembrança é a que dói mais. Cade o vento ateu percorrendo as vias mentais com o poder da iluminação da ignorância programada? Não quero seu reformismo, não aceito a luta institucional, por mim ela nada fez.

Vejo a morte se aproximar, vejo alvos ensangüentados esperando a história ser enterrada junto aos corpos sem registro, grito de ódio por um sistema que se enfia em meus olhos por telejornais maquiados de raiva e rancor. Eles tem nojo da raça humana. Tem nojo do amor pelo próximo. Nojo pelo pensar autônomo.

Eu quero mais é que seu deus sangre todo o dinheiro pelo cu da liberdade. Quiçá, eles deveriam ter cuidado ao cruzar os caminhos dos irmãos que se levantam, a pílula vermelha me tomou de fogo que sobe de Gaia para meu peito, que pulsa pela sensação de justiça. Nós não estamos sozinhos, e eles que despertem, a consequência não vê cara nem coração, quem dirá saldo de conta bancária.

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