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  • Sara Macêdo

A bala que mata lá é a bala que mata aqui: #marchadamaconhagyn2018


Foto: Érika Borba

Noroeste, PGO na cena, manifestando seu direito de fumar um “beck”na tranquilidade, quem dera fosse tão simples como pensam. Alguns podem dizer que a hipocrisia da guerra às drogas não tem ideologia, uma defesa no entanto errônea, uma vez que a folha da maconha, especificamente, tem um rastro de sangue e racismo, heranças de um Estado puramente capitalista, que não tem pena em descartar corpos numa política de drogas que encobre a América Latina.

Duas mil pessoas marcaram a oitava edição da Marcha da Maconha neste 08 junho em Goiânia, trazendo este debate tão importante da descriminalização da maconha para uso próprio - já judicializada por meio do Recurso Extraordinário nº. 635659, pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal -, e que convenhamos, é muito pouco. A praticidade do Estado penal brasileiro agiria com muita facilidade taxando vidas pretas nas mãos do crime organizado e do tráfico de drogas, neste mundo estético onde a maconha terá autorização para o porte individual e consumo próprio. Sejamos sensatos ao entender que a lei de drogas neste país, é uma política genocida e racista, afinal o uso indiscriminado da erva já se perpetua na tranquilidade para a juventude da classe média brasileira.

Fotos: Érika Borba

A letalidade da polícia no Brasil tem a marca da proibição das drogas, pois a legitimação para executar pessoa por um policial traz elementos de um potencial suspeito de tráfico de drogas, e também o que determina sobre o arquivamento do processo. O escopo dessa brutalidade, visivelmente, é a favela, quarto de despejo da sociedade, em que cenas de um helicóptero fuzilando, indiscriminadamente, um Complexo de comunidades da Maré, pode ser facilmente desculpado e naturalizado, ali não merece haver direito à vida.

A juventude quer viver, e aquela que está viva necessita radicalizar no sentido de avançar na afirmação de direitos, o desaparecimento de Amarildo é sistêmico, e um de milhares de vidas pobres massacradas, seja penalmente ou nos institutos manicomiais, como o CREDEC ilegal que segue ileso no cerrado goiano. Uma tragédia infelizmente apaga a outra, e enquanto não empurrarmos à força não uma descriminalização, mas uma legalização de todas as drogas, essa ação política que tem nome de operação policial, onde um critério de execução sumária paira legítimo, vai continuar havendo carta branca para massacrar. Vidas negras importam, e eram elas, em sua maioria, que estavam nas ruas neste dia 8 junho, e com este endurecimento da conjuntura política, infelizmente, vai ser cada vez mais difícil resistir e sobreviver na adversidade manicomial, racista e capitalista.

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