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  • Marcus Vinícius Beck

Carta a Leonardo


Foto: Reprodução

Amigo torcedor, amigo sofredor, a pé iremos a qualquer botequim ou bodega para se derreter em lamúria saudosista em função da música do sertanejo Leonardo, o autor dos mais belos hinos que acompanham epopéias etílicas deste cronista chinfrim que vos fala aqui semanalmente. Até a pé nós iremos, ainda que com o cotovelo vermelho de tanto apoiá-lo nas mesas de plástico, como um cancioneiro envolvo em enredos entremeados de amor e sorte. A pé iremos, com ou sem dinheiro, pôr Chuva no Telhado na jukebox daquele estabelecimento que honra a tradição boêmia de raiz, tão em falta nesses tempos irritamente chatos.

Como já lembrei aqui neste jornal, com peso no coração, nosso amor não acaba jamais. E digo mais: “estou doido para sentir seu cheiro/louco pra beijar sua boca/ vê se não demora muito”. Eita sofrência da porra. Não nego, sofro mesmo. Tanto por conta do time do coração - sou um corintiano demente - quando pelos amores perdidos, ou por aqueles que foram embora como o último acorde da música Eu Juro. Então, proponho um brinde especialíssimo aos homens sensíveis, aos desgraçados que fazem questão de viver intensamente cada segundo de suas vidas.

Sim, caro Leonardo, uso teu som como divã existencial pós-fracassos amorosos e gasto o cotovelo da espera na fórmica dos balcões dos sofredores. Inclusive, a cada pé-na-bunda tenho plena convicção de que irás sentar ao meu lado e me darás excelentes conselhos amorosos, o que mais parece um delírio bêbado provocado pela dor do lado esquerdo do peito em decorrência das desilusões da vida. Mais um brinde, amigo, como te amo, como amo teu som, tua simplicidade, fã de irremediável de Copa Mundo, homem que deixara esta vida tão rápido quanto a virada do Vila Nova em cima do Goiás, em 1999, embora tu sejas esmeraldino, perdoe-me pela piada.

Vamos ver se concordas comigo: estou tentando seguir em frente, pois não me resta muito a fazer em relação ao amor de minha vida. Ora, ela tem outro cara - um sujeito decente, gente boa, companheiro de maratonas etílicas. Então, diante desta premissa sofredora, não me resgata muitas alternativas, a não ser levantar a cabeça, encher o copo americano de cerveja e procurar outras mulheres para me apaixonar desenfreadamente, para escrever textos cheios de adjetivos, advérbios e metáforas que parecem serem cópia de tuas músicas.

Por fim, ainda que o bar seja o consultório sentimental dos desgraçados sentimentais, ratifico o efeito de cura que tuas músicas, Leonardo, nutrem sobre um desalmado. Dói, rasga o peito e dilacera a alma, mas cura, deixa vivo os momentos que realmente foram bons de serem sentidos. O verdadeiro prazer da vida, todavia, reside justamente em experimentar sentimentos, mesmo que o risco seja alto. Enfim, meu caro, sem mais delongas: obrigado pela tua contribuição às músicas de sofrência, porque a honesta e verdadeira boemia resiste e sobrevive com isso.

Até a próxima crônica do louco amor. Forte abraço a quem conseguiu chegar até o final deste texto. Tchau, obrigado!

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