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  • Thiago Dias e Júlia Lee

A biblioteca que vi


Hall de entrada da BMA. Fotos: Thiago Dias

A Biblioteca Mário de Andrade (BMA) foi inaugurada em 1942 em um prédio projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon, na Rua Consolação, sendo considerado um marco da arquitetura Moderna da cidade de São Paulo. A BMA é considerada a maior biblioteca pública de SP e a segunda maior do país, superada apenas pela Biblioteca Nacional que é considerada pela UNESCO como a maior biblioteca da América Latina.

O Metamorfose esteve na exposição "A Biblioteca que vi", que foi exposta entre 26 de junho à 12 de agosto. Com a realização da Casa Contemporânea e curadoria de Marcello Salles, a exposição tinha a intenção de dialogar com o prédio da BMA e o que ele representa, sendo 12 obras de artistas integrantes do grupo Pigmento e obras, livros e objetos do acervo do próprio prédio.

Adriana Pupo, Cecília Pastore, Cyra de Araújo Moreira, Elisa Bueno, Fábio Hanna, Helena Carvalhosa, Lilian Camelli, Mariana Mattos, Marina de Falco, Renata Pelegrini, Rosana Corte-Real Pagura e Vera Toledo foram estimulados a questionar como as pessoas usam as bibliotecas nos dias de hoje, afinal, como nós a percebemos? O que diz e o que se encontra no interior de uma biblioteca? É através de poéticas particulares que cada artista mostra a percepção da relação urbana entre os usuários e a cidade onde a biblioteca se encontra.

Diálogo

A exposição Diálogo, feita por Mariana Mattos, visa discutir a eficácia das micropolíticas, que por natureza não necessitam de grandes recursos financeiros, de grandes obras ou estruturas engessadas para se efetivarem. O foco passa a ser o indivíduo e/ou pequeno grupo que pretendem atingir seus objetivos exatamente questionando essa forma engessada de se fazer ações políticas.

Foi através da pintura e do espaço de convívio da biblioteca que Mariana montou sua obra, problematizando o diálogo que demonstra sua impossibilidade numa era de individualidade. A artista chama a atenção do público para a palavra "escondida" momentaneamente entre sua obra.

Compreender

Marina de Falco foca no verbo compreender, utilizando como parte do seu trabalho o transitivo, verbos que precisam de um complemento para entendermos o sentido da ação indicada.

Na verdade a instalação diz respeito a quem dá nome para biblioteca. A apaixonada e trágica vida de Mário de Andrade, um contemporâneo. Talvez ele estivesse marcando posição na luta das minorias, criticando o conservadorismo. Talvez, se ele estivesse aqui, compreenderíamos.

Homem na Biblioteca

A história da arte moderna vem do surgimento da fotografia e sua consequente popularização teria contribuído para que a pintura dita abstrata ganhasse espaço. Vera Toledo costuma fotografar cenas aparentemente banais, apenas com o intuito documental, sendo sua maneira de responder a onipresente pergunta: o que pintar?

Vera transforma o enquadramento fotográfico na dimensão da real pintura, pois o fragmento do registro, feito normalmente com celular, retém não a imagem em si mas algum detalhe visível que pode fugir do momento cotidiano que é captado.

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