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  • Thiago Dias

Resenha: Aquarius


O filme que fez barulho no Festival De Cannes com a denúncia do golpe de 2016, o longa escrito por Kleber Mendonça Filho se inicia com belíssimas fotografias da Praia de Boa Viagem, no Recife.

Aquarius conta a história de Clara (Sonia Braga), uma jornalista aposentada e escritora, viúva com três filhos adultos e avó. Ela mora sozinha em um condomínio de luxo em frente ao mar, que recebe o nome de Aquarius. Seu apartamento é cheio de discos e livros, e seu prédio é o último de estilo antigo da Av. Boa Viagem, na cidade de Recife - Pernambuco.

Foto: Reprodução

Clara é a única moradora do Aquarius, o prédio é muito importante pra protagonista, ali morou toda a sua geração, a protagonista é uma força de resistência. No longa da trama Diego (Humberto Carrão) aparece para negociar a venda de seu apartamento, a mesma já recusou o convite diversas vezes. Ele é o dono da construtora que comprou todos os apartamentos do edifício. Diego é um rapaz recém chegado dos Estados Unidos, onde foi estudar pós-graduação em economia, em um diálogo com Clara ele diz que está com sangue nos olhos e Aquarius é o seu principal empreendimento.

A construtora acaba sendo o antagonista do filme tendo estratégias para comprar o prédio de Clara e demolir Aquarius levantando um novo empreendimento. A trama vai rolando e Clara declara uma verdadeira ‘’guerra fria’’ contra a construtora e principalmente contra o empresário.

Clara sobreviveu a um câncer de mama em Aquarius, a mesma cita para Diego que: “ prefere dar um câncer do que receber”.

Diego é só um reflexo da especulação imobiliária das grandes construtoras, ele não está presente somente no roteiro e sim no cotidiano.

A Protagonista entende as letras da velha é boa música popular brasileira, em um passeio com seu sobrinho onde ele vai receber uma garota do Rio de Janeiro na sua casa, Clara pede para o sobrinho tocar Maria Bethânia para mostrar sua intensidade a moça.

Foto: Reprodução

O Filme possui uma riquíssima trilha sonora, que se varia de: As duas Estações Nordestinas, música composta por Mateus Alves para o filme à Toda menina bahiana de Gilberto Gil.

O filme também aborda a história de Janileide, a amiga e empregada de longa data de Clara que está presente por toda a trama, Janileide está no aguardo da justiça brasileira, ainda não superou a morte do seu filho, que foi atropelado por um “ filhinho de papai”.

“São duas mulheres despejadas e precisam lidar com homens corruptos para tentar se manterem no lugar em que estão”, cita Kleber Medonça Filho em entrevista para a jurosco, sobre a semelhança entre a Protagonista de Aquarius e a ex presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Aquarius é um filme que reflete as grandes cidades na famosa "era de Aquarius". Entre os dias 07 e 12 de agosto, no Centro Cultural São Paulo, aconteceu a mostra Um lugar ao sol, a cidade em disputa no cinema brasileiro contemporâneo.

A Mostra busca reunir esses e outros filmes brasileiros recentes que tomam o espaço urbano como elemento privilegiado de suas inquietações e tentam pensar sobre essas perguntas. Nessas produções, a cidade constitui um potente linha de força para perceber a vida social e seus conflitos e não é apenas cenário, mas elemento fundamental e estruturante. Tais filmes chamam a atenção, ainda, por não apenas ‘’ representar’’ espaços urbanos já existentes, mas enfatizar como, ao movimentar-se através do espaço real, o cinema acaba criando um novo espaço, e como é possível, assim, ocupar, intervir, recompor ou forjar as cidades. Conforme escreveu a curadora Natalia Christofoletti Barrenha no catálogo da mostra um lugar ao sol.

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