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  • Marcus Vinícius Beck e Júlia Lee

“A sociedade não quer discutir aborto”, diz candidata ao Senado


Eleições 2018

Durante conversa descontraída ao Metamorfose, Magda Borges falou sobre questões tabus à sociedade e criticou os colégios militares em Goiás

Candidata ao Senado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), a professora Magda Borges criticou o modelo educacional . Foto: Ilâne Nunes

Militante classista e feminista, a professora Magda Borges (PCB) disse que os governantes devem ter compromisso com as mulheres. Em entrevista exclusiva ao Metamorfose na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), a candidata ao Senado pelo Partido Comunista do Brasil destacou que é preciso ter políticas públicas eficientes que tenham como objetivo contemplar a população feminina. “A sociedade não quer discutir aborto porque há uma onda crescente de moralismo e conservadorismo”, afirma.

Borges ressaltou que só a punição não será suficiente para solucionar os casos de feminicídio - Goiás figura no topo do ranking dentre os Estados em que há mais casos desse tipo de crime. “A política punitivista funciona para os casos confirmados em que a gente já sabe quem é o autor da violência”, diz. Ela pontuou que uma educação cuja preocupação é tratar as questões de gêneros nas escolas com viés humano possui papel primordial no combate à violência contra a mulher. “A educação precisa ser voltada para a violência de gênero. É preciso atacar nesse problema na raiz”.

Contou ainda que foi duramente reprimida pelo aparato policial durante os protestos movidos pelos secundaristas em 2016. “Estive presente nas ocupações contra as Organizações Sociais que tinha como objetivo lutar contra a privatização do ensino público. Naquela época professores chegaram a ser processos por estarem lutando por uma educação de qualidade”, relata a professora. “Jogaram água suja, de esgoto, que fedia. Éramos professores e alunos e não concordávamos com as medidas de terceirizar um serviço que é obrigatoriedade do Estado, que é a educação”, explana a mestranda em psicologia pela UFG.

“A política punitivista funciona para os casos confirmados em que a gente já sabe quem é o autor da violência.”

A comunista declarou que vê com receio a militarização do ensino público em Goiás. Para ela, a classe trabalhadora terá acesso à educação que tem como função formar “mão de obra barata e desqualificada” para o mercado de trabalho. “A militarização exclui os alunos, jogando-os para outras regiões e reprime um modelo educação emancipatório”, comenta. “Esse sistema de avaliação por meio de número, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), é uma forma de conceder um modelo educacional mercantilista”.

Questionada sobre os meios de comunicação, a professora disse que “precisamos chegar onde a grande mídia não chega”. “Por exemplo, é importante discutirmos a questão da Reforma Trabalhista, que precarizou as relações de trabalho no Brasil e estabeleceu uma espécie de ‘uberização do trabalho’” onde não o trabalhador não tem direito a previdência, não tem recursos em caso de acidente”, argumenta. Ela ainda opinou sobre a ‘pjotização’. “Nossa consciência é determinada pelo mercado”, afirma.

Feminismo

Magda revelou que vem de família em que contava apenas um homem e garantiu que esse fator foi determinante em sua forma de enxergar a vida. “Sempre me peguei questionando determinadas situações, como meu pai chegando em casa mais tarde e outras coisas do tipo”, admite a candidata. Mas a consciência social formou-se quando teve contato com o movimento secundarista. Lá, diz ela, percebeu as contradições do mundo. “Foi quando começo a perceber que injustiças sociais”, conta.

A professora declarou que ter acesso às políticas públicas não é fácil para as mulheres. Comentou ainda as dificuldades que fazem parte da rotina das vítimas de violência sexual. “Muitas meninas violentadas são jogadas para fora de casa. Com isso, duas pessoas são abandonadas: a jovem que sofreu agressão sexual e a criança”, reflete. Borges reforçou também que conseguir métodos anticoncepcionais, tais como DIU e Laqueadura, para determinada parcela da população feminina é difícil. “Geralmente as vítimas de abuso sexual não meninas negras da periferia, e são as que menos tem acesso a esses anticoncepcionais”.

A comunista ressaltou que a discussão sobre gênero perpassa pela discussão do comportamento do próprio homem. “A opressão sobre o homem é tão grande quanto a da mulher. Pais agridem seus filhos e às vezes o matam porque não quiseram beijar determinada menina, ou porque não quiseram transar com ela”, desafaba. Por fim, antes de a entrevista acabar, a professora entoou: “Pelo poder popular”.

“Esse sistema de avaliação por meio de número, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), é uma forma de conceder um modelo educacional mercantilista.”

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