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  • Marcus Vinícius Beck

“Álbum branco” completa 50 anos e ganha nova reedição


Beatles

Clássico da contracultura, disco marcou começo do declínio dos rapazes de Liverpool

Ousado, audaz e arriscadíssimo. É assim que o The White Album (1968), da banda de rock inglesa Beatles, é reconhecido pela crítica musical. Mas às favas com isso... O que verdadeiramente importa é que o disco ganhou uma célebre reedição para colecionadores e fãs. Além de contar com nova mixagem de som, o lançamento especial, formado por sete álbuns que deve chegar às lojas na próxima sexta-feira (16), inclui 27 demos, 50 takes descartados e um livro de 164 páginas que vai fazer com o ouvinte mergulhe totalmente no universo beatlemaníaco.

Creio que seja desnecessário discorrer nesta matéria sobre a importância do White Album para a música, apesar de que irei me ater aos experimentos que os Beatles fizeram em Sgt. Pepper´s Lonely Heart´s Club Band (1967), disco anterior. Considerado pela revista Rolling Stone o melhor álbum de todos os tempos, Sgt Pepper´s sacramentou a fase psicodélica da banda inglesa. Tanto que não é exagero em hipótese alguma dizer que existe antes e depois de Sgt Pepper´s, que virara o retrato sonoro de uma geração que estava descontente com os valores estabelecidos na sociedade.

Pois bem, feita as devidas ressalvas acerca do disco, é necessário voltar a falar sobre o glorioso White Album. Em texto escrito para a reedição, o fundador, compositor e baixista dos Beatles, Paul McCartney, disse que em 1968 o quarteto estava em busca de novos horizontes e, por conseguinte, uma sonoridade diferente do Iê-iê-iê (estilo que fizera com que os rapazes de Liverpool invadisse as rádios norte-americanas no início da década de 1960). “Tínhamos deixado a banda do Sgt; Pepper tocar nos seus ensolarados Campos Elíseos e estávamos então dando pernadas em novas direções sem um mapa”, escreveu McCartney na introdução do disco, que foi originalmente lançado em 22 de novembro de 1968.

“Sgt. Pepper's foi o clímax do meu pai como arquiteto da banda criando um som que ninguém tinha ouvido antes. E com ‘The White Album’, os Beatles decidiram que queriam construir algo do zero. Portanto, o processo foi muito diferente”, disse Giles Martin, filho do lendário produtor George Martin (1926-2016), à Agência EFE. A capa do disco foi concedida pelo artista de pop art britânico Peter Blake e pela norte-americana Jann Haworth, tendo retrato de várias personalidades, como o escritor beat William Burroughs (1914-1997) e o psicólogo Timothy Leary (1920-1996).

Bem, a opinião dos fãs em geral é que o White Album iniciou o caminho que culminou na separação dos Beatles. Em 1969, o quarteto inglês lançaria apenas a trilha sonora Yellow Submarine (1969) e os discos Abbey Road (1969) e Let It Be (1970), que foi feito essencialmente com sobras de estúdio de Abbey Road, cuja sessão de gravação durou cerca de 20 semanas e foi mais um martírio do que uma maratona musical em si.

Premissa

Como falei no início deste texto, os Beatles deixavam para trás naquele revoltado ano de 1967 uma obra pop que entrou para o seleto rol das genialidades produzidas no século XX. Entre fevereiro e abril de 1968, o guitarrista, vocalista e compositor John Lennon (1940-1980) e o parceiro Paul McCartney foram para a Índia onde começaram a ter as primeiras ideias que viriam a desembocar no Álbum Branco. Mas não foi só os dois que tiveram novas experiências. Pouco valorizado pela banda, o guitarrista George Harrison (1943-2001) teve o primeiro contato com o hinduísmo na terra do líder pacifista Mahatma Gandhi (1869-1948).

Braço direito do grupo, o produtor George Martin precisou contornar inúmeras situações estressantes, como a saída do baterista Ringo Starr das gravações em função de algum atrito. O resultado dessas tensões foi uma baita explosão de estilos em 30 canções, que pode ser frustrante para o ouvinte por não contar com um fio condutor estilístico bem claro. Ora, o disco apontava para os extremos, indo desde um tom pra lá de jovial e naif de Ob-La-Di, Ob-La-Da às alucinações experimentais de Revolution 9 (ah, vale lembrar que o mundo estava em erupção por conta de vários conflitos sociais e políticos).

Beatles, só para concluir, é o perfeito retrato da década de 1960.

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