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  • Marcus Vinícius Beck

Extinção do Ministério da Cultura é incógnita


Tiradentes

Atriz critica descaso do governo bolsonarista no trato com a arte e diz que classe não sabe o que vai acontecer com projetos de fomento à cultura

Atriz Grace Passô na última sexta-feira (18), dia em que foi homenageada na abertura da Mostra de Tiradentes. Foto: Leo Lara

Marcus Vinícius Beck

Enviado especial a Tiradentes (MG)

Um dos assuntos mais discutidos na 22° Mostra de Cinema de Tiradentes é a ascensão da extrema-direita. Mas pouco se fala nas mesas e rodas de debate sobre o impacto dessa medida à produção artística. Assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em seu segundo dia de governo e publicado no Diário Oficial, o fechamento da pasta fez com que as atividades que pertenciam ao Ministério da Cultura passassem a ser destinadas ao Ministério da Cidadania, o que nunca aconteceu desde a redemocratização, em 1985.

Em conversa com cinéfilos realizada na tarde de ontem no Centro Cultural Sesi Minas, a atriz e dramaturga Grace Passô, 38, criticou o descaso que o atual governo tem com a arte. “A arte é uma invenção que faz parte da realidade, mas a gente (os artistas) não sabe muito bem o que está acontecendo, talvez seja uma jogada deles (os governantes) com esse objetivo”, diz a diretora do longa Vaga Carne, que foi homenageada na abertura da Mostra, na última sexta-feira (18).

Passô destacou ainda que o governo bolsonarista “sente tesão pela força” e o que “a gente vê é de uma truculência bem militar mesmo”. Para ela, o governo ultradireitista sempre prazer pela ideia de virilidade e, a partir disso, há uma incógnita em relação aos projetos culturais que são financiados pelos editais das leis de fomento à cultura. “A sociedade manteve várias vezes reflexões sobre o porte de arma, por exemplo, mas não é eles quem decidem o que será feito ou não”, finaliza.

Em entrevista concedida ao Jornal Metamorfose, a cineasta goiana Fabiana Assis comentou que o crescimento da produção audiovisual no Estado cresceu bastante nos últimos anos em função do Fundo de Arte e Cultura. “Precisam ser melhorados, mas já conseguimos muito com essas iniciativas. Se não fosse os editais, não tínhamos melhorado e tampouco crescido. As leis atuam junto com as universidades e são primordiais para os festivais”, diz Assis, que vai participar da Mostra de Tiradentes com o documentário Parque Oeste.

“O novo governo parece que vai manter a estrutura pelo menos para o cinema. Creio que é bastante cedo para a gente criticar”, ressalta a diretora. Segundo ela, há um temor em relação ao que pode vir a acontecer, porque “é inadmissível o presidente tecer duras crítica à Lei Rouanet e não tem grau mínimo conhecimento. São vários posts, várias fake news. A classe artística tem ressalvas à lei, porém não é da forma com que eles colocam. O incentivo financeiro do governo em todas as esferas geram retorno para o Estado”.

Sem espaço

Durante a corrida eleitoral o direitista Jair Bolsonaro não dedicou bastante tempo em sua propaganda eleitoral para tratar de cultura. Só começou a dar mais atenção para a questão quando uma tragédia destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, no ano passado. A solução encontrada por Bolsonaro não poderia ser diferente: extinguir o Ministério da Cultura e anexar todas as atividades da pasta no Ministério da Cidadania como parte de sua ideia de enxugar a máquina pública.

Dito e feito. Ao subir a rampa do Palácio do Planalto, o presidente já tratou de pôr as mangas de fora e cumpriu a promessa no segundo dia na presidência. Tal escolha gerou críticas por parte da classe artística e até hoje provoca dúvidas em relação ao fomento à arte no Brasil, mas esse assunto sequer é discutido pelos meios de comunicação ou debatidos pela classe artística - apesar de que um ou outro vê a medida do presidente com desconfiança e insegurança.

Sem esconder a simpatia que possui pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o cantor e compositor Chico Buarque é um dos críticos mais ferrenhos do novo governo. Mas isso não o exime de ser alvo de críticas por parte de militantes esquerdistas, que veem o músico como moderação demais. Em entrevista ao El País, Buarque afirmou que, com a ascensão da ‘nova direita’, é preferível que o Ministério da Cultura seja de fato extinto. Só posso dizer o seguinte: em vista da qualidade dos ministros deste Governo, acho que é preferível que a cultura não tenha ministério”

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