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  • Marcus Vinícius Beck

“Parque Oeste” é exibido na Liberté


Cinema

Filme narra como foi a desocupação do Parque Oeste Industrial. Evento tem como objetivo arrecadar grana para impressão de livro-reportagem

Flyer do cine-debate. Ilâne Nunes

O premiado documentário “Parque Oeste”, da diretora Fabiana Assis, vem percorrendo vários festivais de cinema pelo Brasil e neste sábado (6) à noite vai ser exibido na Casa Liberté, em evento promovido pelo Jornal Metamorfose. Vencedor da Mostra Olhos Livros na última edição do Festival de Cinema de Tiradentes, o longa-metragem narra a brutal desapropriação do bairro de mesmo nome pela polícia militar, em 2005, destruindo três mil casas e deixando duas mortes – moradores, entretanto, falam em pelo menos 20.

Ao final da sessão, que deve durar por volta de uma hora e meia, o público vai acompanhar o cine-debate que terá a presença da documentarista, da psicóloga Karina Yep e do filósofo Eduardo Cali de Moraes. Na sequência, integrantes do coletivo vão passar pelo bar estendendo chapéu para quem desejar contribuir financeiramente com a impressão do livro-reportagem “Diário Subversivo: dias de embriaguez, utopia e tesão”, obra que fala sobre a Primavera Estudantil, em Goiânia.

Proprietário da Casa Liberté, o jornalista, artista visual e agitador cultural Heitor Vilela, 24, comentou que o evento tem a função de rememorar a história de luta e o massacre contra a população pelo Estado. “A casa é um espaço de resistência cultural, política e estética, e promover a exibição de um filme independente realizado por uma diretora goiana é uma das coisas que mais representam o que é a Liberté”, diz o jornalista.

Em entrevista ao Jornal Metamorfose, a cientista política Lays Vieira, 28, integrante do Jornal Metamorfose, explicou que o filme de Fabiana Assis traz uma temática que já caiu no esquecimento. “O que aconteceu no Parque Oeste foi uma violência por parte do Estado e nós, enquanto sociedade, jamais podemos esquecer aquilo”, afirma ela, que é estudiosa na área de movimentos sociais. “Milhares de famílias desapropriadas e casas destruídas... um horror”.

A entrada para o evento será gratuita, e após o debate entre os convidados pela organização, o bar da Casa Liberté estará funcionando normalmente, com aquela cerveja geladíssima a sete pila para molhar a palavra. Além disso, como trilha sonora estará rolando discotecagem com o melhor das brasilidades e do rock.

Ato de violência

Em entrevista ao Metamorfose durante a última edição do Festival de Cinema de Tiradentes, a documentarista Fabiana Assis disse que a violência ocorrida durante a desapropriação do Parque Oeste Industrial foi um dos maiores atos de violência do Estado contra a população. Segundo ela, entra governo, sai governo e a situação das moradias segue sem uma solução específica, e os movimentos sociais que lutam por esse direito estão sendo dizimados.

“Vemos prédio pegando fogo em São Paulo e as pessoas morrendo. Outras levando tiro porque estão ocupando. Neste momento, em que as ameaças aos movimentos que lutam por moradia estão postas, “Parque Oeste” escancara essa luta”, analisa ela, que fez o curta-metragem“Real Conquista”, filme deu origem ao premiado longa. “Eu temo pela vida dessas pessoas, que estão totalmente à margem. Há muita gente sem moradia, e isso é um direito humano”, finaliza.

“Parque Oeste”, ovacionado durante o Festival de Tiradentes, representa o salto de patamar que o cinema goiano deu nos últimos anos. Um dos pontos mais interessantes da obra é a sensibilidade da documentarista ao entrar na casa dos moradores do Real Conquista atrás da história que desse recheio ao filme, e este certamente é um dos pontos mais interessantes do longa-metragem: é preciso respeitar quem está à margem da sociedade.

O filme de Fabiana é uma assustadora denúncia sobre um Estado extremamente autoritário à época governado por Marconi Perillo (PSDB) e que ainda hoje insiste em ver os ocupantes do Parque Oeste como “marginais”. Provavelmente por conta da pouca exposição nos meios de comunicação de massa ainda haja uma visão tão deturpada sobre o trágico episódio que rolou em 2005. É assustador e deprimente assistir a demolição de sonhos, vidas e esperanças de dias melhores.

Livro-reportagem

Publicado em partes no jornal Diário da Manhã ao melhor estilo machadiano, o livro-reportagem “Diário Subversivo: dias de embriaguez, utopia e tesão”, escrito pelo jornalista Marcus Vinícius Beck, narra como foram os dias de ocupação de escolas e faculdades no âmbito da chamada Primavera Estudantil. Com riqueza de detalhes, a obra mostra qual era áurea que tomou conta dos ativistas antes de terem as três horas de espaço na grade de programação da Rádio Universitária da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Serviço:

“Parque Oeste” é exibido na Liberté

Data: sábado, dia 5 de abril

Horário: 18h

Onde: Casa Liberté

Endereço: Endereço: Rua 19 nº 400 – Setor Central

Entrada Franca

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