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  • Gabriell Araújo

Entenda porquê o Vice-Presidente está sendo atacado pela própria direita que o elegeu


Mourão

Foto: Luisa Gonzalez/Reuters

Houveram diversos candidatos para ocupar a vice-presidência do Brasil. Os dois principais cotados para a função eram, a jurista Janaina Paschoal (PSL) e o pastor Magno Malta (PR). Além dos fortes boatos que incluíam o atual governador do estado de São Paulo, João Dória (PSDB) e o “príncipe” Luiz Philippe (PSL). Porém, por diversos motivos o general Hamilton Mourão (PRB) foi o remanescente dentre as opções e, consequentemente o escolhido para preencher o cargo em 5 de agosto de 2018. Entretanto, os fatos indicam que essa não foi a melhor opção que o atual presidente poderia ter feito.

Antônio Hamilton Martins Mourão é um integrante do Exército desde 1972, quando adentrou a Academia Militar das Agulhas Negras. Mais tarde, participaria de missões na Angola e na Venezuela e comandaria a 6ª Divisão de Exército e o Comando Militar do Sul. Em 28 de fevereiro de 2018, quando já somava 46 anos de serviço, o general passou para a reserva remunerada após deixar o serviço ativo.

Atualmente, como vice-presidente, vem sendo uma pedra no sapato do Presidente Jair Bolsonaro, e em recentes declarações tem causado incômodos na maioria absoluta dos aliados e dos simpatizantes do governo. Entretanto, vem ganhando a simpatia de alguns apreciadores de centro-esquerda com suas recentes colocações, que são aparentemente progressistas e poderiam facilmente ser confundidas com alguns dos representantes da social democracia brasileira.

As contradições também estão presentes no currículo político, pois em 2017 ele afirmou: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós (Exército) teremos que impor isso’’. Depois, em 27 de maio de 2018, ele se pronunciou sobre a greve dos caminhoneiros dizendo: ‘’Tem gente que quer as Forças Armadas incendiando tudo. E a coisa não pode ser assim, não pode ser desse jeito. Não concordo. Soluções dessa natureza a gente sabe como começam e não sabe como terminam’’.

Os problemas em suas declarações não se limitam apenas a essas contradições, na verdade os mais recentes descontentamentos que ele vem causando estão ligados aos enfrentamentos que acontecem entre as suas declarações e as do presidente.

Prova disso, em janeiro, quando o presidente decretou a facilidade da posse de armas para a população, o vice-presidente afirmou a uma rádio do Rio Grande do Sul que não via o decreto como modo de combater a violência. Sucessivamente, ele também declarou que o aborto deve ser uma decisão da mulher, o que vai de encontro às manifestações antiaborto de Jair Bolsonaro. Outro caso muito relevante, foi a sua declaração de que nazismo é de direita, o que somou mais um ponto de discordância com o atual presidente.

Dias depois, na terça feira (16), o deputado Pastor Marco Feliciano, deu entrada no pedido de impeachment contra o vice-presidente da República argumentando que, ele tem uma “conduta indecorosa, desonrosa e indigna” e conspira contra o presidente Jair Bolsonaro.

“A nação não pode ficar à mercê dos maus governantes, da vaidade e do despreparo emocional daqueles que alçados a cargos de relevo se deslumbram com o poder“, escreveu o deputado do Podemos. No dia 25, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, arquivou o pedido e disse que a denúncia é “inadmissível”.

Graças a esse enfrentamento de ideias, no dia 20, Olavo de Carvalho postou um vídeo no canal do Bolsonaro criticando Mourão, um dia depois o vídeo foi apagado, mas o vice não poupou suas energias para dizer que Olavo deveria “se limitar à função de astrólogo”.

Após todas essas manifestações, Carlos Bolsonaro decidiu atacar o vice-presidente postando o print de uma curtida do General em um tweet da jornalista Rachel Sheherazade, que dizia: “Finalmente um representante do governo não nos causa vergonha alheia. Muito pelo contrário. O vice nos mostrou como ele e o presidente são diferentes: um é vinho, o outro vinagre. Parabéns pela lucidez”. O print foi retweetado com o comentário ‘’Tirem suas conclusões’’.

Outro episódio que levou o vereador Carlos Bolsonaro a criticar o vice, está ligado a uma declaração de Mourão sobre a facada que o presidente sofreu. Na ocasião ele disse: “Esse troço já deu o que tinha que dar. É uma exposição que eu julgo que já cumpriu sua tarefa. Ele [Bolsonaro] vai gravar vídeo do hospital, mas não naquela situação, não propaganda. Vamos acabar com a vitimização, chega”. Quando o Supremo Tribunal de Justiça decidiu reduziu a pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mourão afirmou que: “Decisão do Judiciário a gente não comenta“. Novamente, Carlos Bolsonaro pediu que seus seguidores tirassem suas próprias conclusões.

Outro enfrentamento que chama atenção, se deu quando Jean Wyllys sai do Brasil. Mourão se pronuncia dizendo: ‘’poderíamos protegê-lo’’. O filho do presidente mais uma vez se exalta. Então, a divergência entre o governo e Hamilton Mourão é clara.

Após essa crise entre o filho de Bolsonaro e seu vice, na tentativa de minimizar toda a instabilidade que o governo sofre —fonte da somatória de duas perspectivas opostas de ver o Brasil, que se originam nos militares e nos discípulos do pensador Olavo de Carvalho— o presidente disse: “Está tudo em paz. Tudo resolvido. Os problemas a gente vira a página e segue o destino”.

As falas que aparentam se aproximar muito das pautas da esquerda, que seriam agradáveis apenas se anteriormente o General Mourão não tivesse afirmado que: “Heróis matam”, se referindo as ações de Carlos Alberto Brilhante Ustra à frente do Doi-Codi durante o regime militar. Também já afirmou que o Brasil tinha a "indolência" dos indígenas, a "herança do privilégio" dos ibero-americanos e a "malandragem" dos negros, além disso, criticou o décimo terceiro, pois eram "jabuticabas brasileiras" que causavam custos aos empresários.

A verdade é que a direita já não suporta os posicionamentos do vice-presidente, e a esquerda não acredita nas suas intenções. É necessário agir com cautela, afinal não se sabe quais são seus desejos reais.

Informações indicam que, o General frequentou no fim de 2018 um curso de media training com Alexandre Lara de Oliveira, que é um jornalista, publicitário, Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras e Pós-Graduado em Assessoria de Comunicação Social, especializado em Gestão de Crises de Imagem.

Nesses encontros, Mourão conversou sobre os mais diversos temas. E de acordo com Oliveira: ‘’Fomos até o limite da autoridade. Esse treinamento serviu para ajudá-lo a entender que a imprensa anda em conjunto com a política.”

O general foi frequentemente elogiado pelo seu professor e aparentemente se dedicou para absorver o que lhe foi ensinado. Ao que tudo indica ele já está conseguindo por em prática para alcançar seus objetivos.

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