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  • Gabriella Campos

Arte


Afrescos da Alma

Picasso, 1925 -“as três dançarinas”

A arte incomoda por dois motivos. Primeiro, por causa do barulho que ela causa, um estrondo de fragilizar estruturas. E depois, modestamente dizendo, há quem sinta o cotovelo doer por não saber degustar do sabor e reconhecer a significância que a arte traz para a vida humana. E no meio disso tudo, me sinto completamente confortável.

Devo dizer que, por hora, me incomodo também. Me incomodo pelo incomodo dos outros. Me incomodo quando a denominam -arte- como algo secundário. Quando por fim, tentam me convencer em palavras, estas de entonação suave e doce, no entanto, banhadas de prepotência e arrogância, que tal feito, talvez, não devesse ser ofício.

A gente sente, não é? Sente o olhar, o jeito que entorta o nariz, o balançar do corpo subjetivando desconforto, o virar do rosto para disfarçar o sarcasmo, o sorriso dissimulado, o vazio inerente saltando pelos olhos de quem observa, carregado somente de si mesmo. A gente recebe um elogio solto, que sai tropicado, daquele que aprova a obra, não o contexto, porque não entendeu nada.

A arte incomoda porque desafia, te chama pra jogo, te coloca frente a sua própria verdade. Às vezes é difícil demais encarar sua própria razão, estremece teu palácio etiquetado. Da boca sai falácias programadas, os gestos construídos metodicamente, e da alma? O que guardas aí dentro? Coloque pra jogo, mostre a tua verdade ou corra. Porque a arte incomoda.

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