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  • Ronaldo Marinho

A inclusão da arte local


Artigo de Opinião

Foto: Reprodução

Não é razoável a abordagem, às manifestações artísticas, correntes nos logradores da capital goiana, sem começar enaltecendo a galeria de arte à céu aberto, denominada “Beco da Codorna”. Situada à avenida Anhanguera, nas proximidades do Teatro Goiânia. A entrada discreta conduz ao cenário surreal que potencializa na cultura do graffiti, o vigor da arte urbana.

O Beco é idealização de Eduardo Aiog, produzido por populares, artistas goianos e membros da Associação dos Grafiteiros de Goiás, entidade presidida pelo artista. A galeria recebeu de suas mãos as primeiras obras, em 2001. Ao frequenta-la, aproveitei a oportunidade, para trocar ideias com Aiog; referência no graffiti brasileiro. Cidadão politizado, humilde, e muito bom de conversa. Comentou sobre a história da arte do graffiti e tendências. Avaliando a evolução dos insumos empregados à profissionalização dos praticantes. Descreveu a trajetória da expressão artística, partindo da contravenção, à sua inclusão entre as artes visuais. O artista afirma que o trabalho e linguagem, buscam interferir na essência da cidade. Lembro ter salientado, a influência dos EUA na concepção brasileira, e que, cada grafiteiro possui suas tags; marcas de assinatura na obra.

O graffiti está ligado a diversos estilos, tipos e contextos de vivências. Associado a diferentes movimentos e tribos urbanas; como o hip-hop, por exemplo. Existe o vocabulário do grafiteiro, formado por palavras do idioma inglês, em sua maioria, como: throw-up (estilo simples de letra, vômito), toy (principiante), bomber (letras gordas), wildstyle (letras distorcidas), graffiti 3D (desenhos com ideias visuais de profundidade), livre figuração (vale tudo; caricaturas, quadrinhos...).

Em Goiânia, os artistas foram convidados a participarem de projetos que visam embelezar o município. Nos domingos e feriados na avenida Goiás, no setor Central, é possível apreciar a pluralidade de expressões gravadas nas portas metálicas das empresas. Evidenciam o cerrado, o folclore, e as interações do cidadão contemporâneo. É ótimo incentivo à arte, e meio motivador para transformar pichadores em profissionais do graffiti e muralismo.

No momento, o “Beco da Codorna” é carente de proposta de ocupação artística. O espaço tem capacidade para sediar maior número de atrações. O ambiente já abrigou: encontros de skatistas, feiras, artes cênicas, apresentações musicais e espetáculos de dança. Local excelente para ensaios fotográficos, e gravação de vídeos, para a plataforma You Tube. O artista goiano Maurício (b.boy_maskara_mega_break) é apaixonado pelo hip-hop e pela dança (break), produz conteúdo com regularidade no Beco, e revela-se entusiasta da galeria de artes.

As faculdades de comunicação, artes, designer e afins, associadas à comunidade, em parceria com o comércio local, com a colaboração da prefeitura de Goiânia e Secretaria Municipal de Cultura (Secult), enlaçados por projeto eficaz de revitalização, podem engrandecer, ainda mais o Beco, explorando vertentes na música, artes plásticas, literatura, teatro, gastronomia, dança dentre outros. Impulsionando as políticas de distribuição da justiça social e ações afirmativas inclusivas, num trabalho dedicado aos goianienses, e à fomentação do turismo. Fortalecendo aspectos da renda, emprego e aculturação.

Ronaldo Marinho é escritor, articulista, gestor e tecnólogo em planejamento em transportes.

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