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  • Isabella Lima

Overdose tóxica, numa redundância extremamente necessária


Artigo

Ilustração: Heitor Vilela (Rabiscos e Escarros)

A definição dada pelo dicionário de “toxicidade”, um substantivo feminino é “1. qualidade ou caráter do que é tóxico”, e “2. quociente da quantidade de uma substância necessária para matar um animal pelo peso deste, expresso em quilogramas”. Isso significa muito para quando tratamos de fármacos, entretanto o termo vem sendo empregado a outras áreas humanas.

Um termo recentemente popularizado é “masculinidade tóxica”, no qual, segundo o site Geledés a “masculinidade tóxica é uma descrição estreita e repressiva da masculinidade que a designa como definida por violência, sexo, status e agressão” isto é, a cultura da masculinidade, na qual a força é tudo e as emoções são uma expressão da fraqueza. Dessa forma, o sexo e a brutalidade são padrões pelos quais os homens são avaliados e, quando não atendem a eles, o seu “status” de homem é “removido”.

Outra aplicação não farmacológica na qual tem sido empregado o termo “tóxico” é para pessoas que não fazem bem às outras devidos aos seus comportamentos, com pensamentos negativos e falas de desincentivo. Quando duas pessoas tóxicas se unem, as coisas tendem, então, a piorarem.

Toxicidade por toxicidade, vivemos em uma época em que quaisquer atitudes repercutem em proporções mundiais. Os avanços tecnológicos e informacionais tendem a aumentar a conexão e os diversos problemas em decorrência deles e, dessa forma, promovem informações e notícias que, sejam por mídia fotográfica ou por vídeo, ou por texto escrito, encorajam os cidadãos a, por exemplo, se autodiagnosticarem como ansiosos e depressivos. Assim, para solucionar o “diagnóstico” se automedicam: buscam remédios para as mais diversas dores, inclusive as dores oriundas dos problemas psiquicossomáticos.

Aonde chegaremos com isso? Aqui, no governo doentio no qual as ações são justificadas por impulsos e falta de organização, de maneira que, por exemplo, ou se bebe para encarar a vida ou a bebida é o problema dela. E sempre haverá aquele que diga que “agir de tal maneira não é saudável”; “busque fazer terapia”; “faça alongamentos e exercícios físicos”; “não coma açucares” e “me curei da depressão porque tive muita força de vontade, com ajuda religiosa”.

Vendo agora esse textinho, tão brega, para não dizer mixuruca e demasiadamente opinativo, identifico três posicionamentos: um primeiro extremamente cientificizado que busca convencer, mostrar, como um termo da farmácia pode ser aplicado às mazelas vividas na era da informação; o segundo que torna-se um relato como quem vive diariamente o problema, assim como se colhesse, torrasse, moesse, vendesse, comprasse e passasse o café-preto-açucarado que bebe todo dia; e o último como um burguês moralista que não ingere a quantidade necessária, em quilogramas, de uma substância que, finalmente, o mate.

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