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  • Marcus Vinícius Beck

Método Wando para amar


Botequim Literário do Beck

Foto: Ariel Martini/Reprodução

Amigo leitor, sei que este tema já foi surto literário deste glorioso cronista do louco amor, mas acredito que seja imprescindível pô-lo à mesa, digo, ao nobre espaço concedido pelo Jornal Metamorfose. Sem mais, meu velho.

Não se faz mais homem devoto às mulheres como Wando. Ou talvez se refaça este homem a partir de agora, pois o mulherio está carente de sujeitos mais atenciosos, mais preocupados com o bem-estar da moça, mais sensíveis. O legado do rei das calcinhas permanece indestrutível, disso não tenho dúvida alguma.

Mire-se no exemplo do cara. Fica a lição de um autêntico e absoluto trovador do miocárdio, como em assopra no ouvido lá pela tantas da boemia goianiense meu irmão Luís Tavares, paranaense, corintiano e vagaba profissa.

Luís é um daqueles hombres que podem ser considerados a personificação de Henry Chinaski, personagem dos romances do escritor norte-americano Charles Bukowski. Sim, aquele mesmo que fora eternizado nas páginas de “Factótum”, livro lançado em 1976 pelo velho safado e um manual proleta-literário de primeira.

Bem, rapazes, o que importa verdadeiramente dizer nesta croniquinha é que na hora de aprender sobre a arte milenar do amor, Wando é tão importante quanto o professor que leciona língua portuguesa para uma criança de dez anos.

Wando nos ensinou a amar como um pássaro no meio-fio, como um bêbado no coral da meia-noite, como um sujeito no auge de uma viagem de LSD. Está aí, meninos, vacilões, canalhas, vagabas e putos em geral os ensinamentos da coragem: “Toda mulher gosta de ser tratada com muito carinho/ porque o sabor especial de ser amada é como um vinho”.

Se quiser um parceiro, toma a minha mão e convoque o senhor Wando. Ah, se ainda desejares derrubar de raiva ou ira provisória, eu também sou teu homem. Vamos reaprender o caminho do amor, tal como um trovador do miocárdio lutando para não sair de cena pelo coração, o músculo mais romântico do corpo humano, como diria o cronista Xico Sá, pai espiritual desta coluna.

A vitrola do youtube, meus amigos, enquanto vos batuco estas palavrinhas de macho sentimentalista, canta comigo: “Afago teus cabelos/ beijos tuas costas e nada, nada, nada”. Eita, hombre de díos, Wando definitivamente não é para qualquer um. Pensou que acabou, calma lá, pois esta não podia ficar de fora: “Aquele amor que faz gostoso me deixou”.

Vale o sacrifício, moço, faça sorrindo o que o mestre Wando nos ensina em suas canções. Digo mais: o importante mesmo é levar adiante a lição do rei das calcinhas, afinal só quem colecionou este utensílio do vestuário feminino consegue compreender com fidelidade os versos do pai espiritual deste jovem cujo cotovelo dói demais da conta.

Calma, pra que sofrimento, pois “o amor quando se vai deixa marca da paixão”, não tem jeito.

Isto posto, o fundamental é considerar o legado do cara, nosso homem pedagógico que muda o caráter dos meninos que estão na puberdade. Temos muito ainda o que aprender nesse intensivão nada fúnebre e extremamente celebrativo. Gastemos a agulha virtual na caixa de busca do youtube ou spotfy.

“Eu queria revirar seu pensamento/ pra fazer seu corpo desejar o meu, ser a força de amor te deixe doida/ pra te ouvir pedir que eu seja sempre seu/ quero ser o vento forte em seus cabelos/ quero ser o pensamento mais ardente/ em sua boca o retoque do batom/ se for noite de calor eu faço chuva/ pra molhar seu corpo só pra mim”.

É Wando. Sem mais.

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