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"Minha vontade é de encher sua boca de porrada"

Doce Viagem

Marcha contra a ditadura, São Paulo, 2019. Foto: J.Lee


Júlia Aguiar


Caro leitor,


Na coluna de hoje, lhe trago uma carta. Em tempos de distopia fascista, as entranhas da poesia já não alimentam os gritos escaldantes da realidade. Os versos perderam sentido, força, notabilidade.


Sim, são tempos tenebrosos, obscuros, tristes. Sim, pulso raiva, ódio, depressão. Vejo companheires se deixando calar pelas amarras da censura prévia, com medo do amanhã que parece nunca vir.


Tenho medo, não nego. Coragem, onde você se encontra? Onde estás que não a vejo nos olhares singelos daqueles que sempre lutaram pela liberdade? Porque se esconde, adormecida entre paredes de submissão cotidiana?


Não me calo. Não posso. Não consigo. Morro. Desisto. Resisto.


Ando reparando na semiótica dos veículos de informação, o que nos chega de notícia, tentando equalizar todas as percepções daquilo que consigo compreender dos fatos.


Pausa. Luzes fortes em ideias harmônicas. Pausa. Escuridão e logo, melancolia, chego a conclusões pífias que logo batem à porta do caos desconhecido. Frames da luz do sol cantam a superfície, estou no fundo de minha consciência. Desespero. Será que eu deveria sair daqui?


O mar que consiste minha mente entra em erupção. Ondas fortes se formam e criam redemoinhos internos que somente as raízes conseguem sentir, sou tomada pelo medo angelical que reside em minha existência

Ponto. Parágrafo.


Não iremos nos calar.

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