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  • Victor Hidalgo

Mulheres na construção civil

Reportagem

Aumenta em 120% a presença de mulheres nos últimos 12 anos dentro do ramo

Ariel trabalhando na casa de um cliente, divulgação

Quantas vezes você chamou uma mulher para resolver problemas elétricos? Ou, quando a pia da sua cozinha estraga e de repente começa uma inundação, você chamou uma mulher para resolver a situação? O ramo que chamamos de "faz tudo", ou até mesmo "marido de aluguel" é atualmente dominado pelo sexo masculino, porém, essa realidade está mudando.


A área da construção civil nos últimos 12 anos teve um aumento de 120% da presença de mulheres dentre os anos de 2007 e 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, ainda existem problemas como a desigualdade salarial de acordo com o gênero, em que mulheres ganham em média 20,5% menos que os homens em todas as ocupações selecionadas na pesquisa.


Um dos motivos do aumento é devido ao projeto de 2012: Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil. Proposta criada pelo Governo Federal para capacitar trabalhadoras de baixa renda para que possam sair da situação de vulnerabilidade, criando mão de obra qualificada que seria absorvida por outros programas do governo como o Minha casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Infelizmente, não temos maiores informações sobre o programa desde 2018. existe meramente uma nota no site do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos comentando brevemente do que se trata e um link para um arquivo de PDF que teoricamente explicaria mais sobre o projeto. Porém, o mesmo não funciona.


“Com o tempo, fui me adaptando e percebendo como a minha imagem de "menina delicada" no meio da obra causava estranheza de início. Mas, mostrava que eu queria estar ali e tinha estudado para isso e não aceitaria ser diminuída ou tratada diferente dos outros” relata Izadora Ariel, 26, técnica na área de construção cívil.



Além das ações do governo, projetos e ONGS acabam sendo peças fundamentais na formação e organização de milhares de profissionais. É o caso do grupo Mão na Massa, do Rio de Janeiro, idealizado pela engenheira civil Deise Gravina, onde são oferecidos cursos profissionalizantes gratuitos com o intuito de garantir uma oportunidade para que elas possam ingressar no ramo. Desde 2007 foram formadas 1.200 mulheres dentre 18 a 45 anos.



Porém elas não são as únicas fazendo esse trabalho. A ONG Mulher em Construção, criada em Canoas, Rio grande do Sul, por Bia Kern. Mesmo sem conhecimento na área, ela se juntou com professores e empresas ligadas à área da construção civil para ensinar mulheres técnicas de pintura predial e textura.



“Quem foi que disse que uma mulher não pode erguer muros, misturar cimento, subir em andaimes e construir um futuro melhor? Para mim, ninguém disse isso. Ao contrário, eu sempre ouvi da minha mãe, Dona Diva, que a mulher precisa ser independente e batalhadora, sem deixar de ser parceira do homem. No lar, junto com três irmãos e três irmãs, aprendi que “não tem coisa de homem” nem “coisa de mulher”. Todo mundo pode e deve lutar pela sua felicidade, de preferência unido, sem disputa ou concorrência” relata Bia no site da ONG.



Porém, por conta da pandemia de covid-19, muitos cargos acabaram sendo perdidos na área. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), que envolve o segmento formal e informal, revela que no primeiro trimestre de 2020, com relação ao mesmo período no ano passado, a construção perdeu 440 mil ocupações.



“Foi bem drástico, ainda dentro da empresa anterior algumas obras foram paradas ou diminuídas devido a logística. Isso teve um resultado negativo na empresa e por consequência em alguns cargos do escritório, vários processos foram adaptados para home office. Agora, no final do período de suspensão que foi uma medida do governo estadual, me demitiram. Nesse período novo, em que ofereço meus serviços dependo da necessidade do cliente, tento dar o máximo de auxílio remoto. Para fazer uma visita objetiva, evitando contato, usando máscaras e luvas, mantendo janelas abertas” diz Ariel, sobre o impacto da pandemia no seu trabalho.



O futuro ainda é incerto. Sendo por conta da precarização generalizada do trabalho e o avanço do ultra-liberalismo no país. Porém, ainda existe esperança na construção de uma realidade melhor, e ela está começando em uma nova década, sendo erguida um tijolo de cada vez pelas mãos de profissionais que disseram: nós também podemos fazer isso.


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