Buscar
  • Metamorfose

Talento sul-coreano

Cinema

Mais de duas décadas depois, os filmes ‘cabeças’ de Bong Joon Ho fazem alarde em Hollywood



Após 26 anos, diretor conseguiu, enfim, ser reconhecido em hollywood - Foto: Mike Blake/ Reprodução



Não foi da noite para o dia que o cineasta sul-coreano Bong Joon Ho, 50, decolou em Hollywood. Autor de Parasita - considerado pelo público e crítica a sensação de 2019 -, o diretor precisou de 26 anos para ser ovacionado mundo afora, enquanto a glória não chegava ele perambulou pela manjada fórmula de filmes sobre criminosos, pelas fitas protagonizadas por monstros e pelo mundo da ficção científica. Mas, vamos e venhamos: ainda conhecemos muito pouco sobre o cinema produzido em países fora do pólo cinematográfico convencional.


Peixe fora d'água entre os favoritos para faturar as estatuetas do Oscar, Joon Ho afirmou ao Los Angeles Times que vê nesse momento uma “realização pessoal” com a chance de dar uma “contribuição para toda uma indústria”. Pela primeira vez, Parasita botou no mapa um longa sul-coreano, e o diretor sabe a razão pela qual filmes asiáticos sempre passaram despercebidos pela curadoria norte-americana. “Quando você supera a barreira da legenda é apresentado a filmes incríveis”, disparou, ao ser premiado no Globo de Ouro.


Como todo mundo está careca de saber, Parasita derrubou esse muro hollywoodiano, e concorre ao Oscar nas categorias de melhor edição (Jinmo Tang), desenho de produção (Ha-Jun Lee e Won-Woo Cho), roteiro (feito ao lado de Jin Wan Han) e direção (que é do próprio “Bong Joon Ho, é claro). E há uma explicação para o longa concorrer nessas categorias: Parasita é uma comédia de humor negro, porém com uma sátira feroz. Todo o enredo é permeado pela luta de classes - repito: pela luta de classes! - e pela desigualdade.


Mas para mensurar a qualidade cinematográfica das obras de Joon Ho é preciso voltar no tempo. Em 2000, o diretor estreou nas telonas com a comédia satírica Cão que Ladra Não Morde. O filme conta a história de um professor universitário que sequestrou (?) o cachorro do vizinho. Pouco conhecido do outro lado do mundo, o longa participou da mostra competitiva no festival de San Sebastian, na Espanha, e conquistou prêmios em Slamdance e Hong Kong. Era o começou de uma carreira que prometia.



Diretor sul-coreano foi agraciado com a Palma de Ouro em Cannes - Foto: Reprodução



Nove anos depois, o sul-coreano foi bem recebido pela crítica por conta do filme Mother. A obra participou da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes, porém perdeu para o longa grego Dente Canino, de Torgos Lanthimos. Em 2013, Joon Ho fez seu primeiro filme ocidental: Expresso do Amanhã. Falado em inglês, coreano e checo, a obra foi baseada na novela gráfica Le Transperceneige, de Jacques Lob, e contou com o ator Chris Evans (conhecido como Capitão América). Mas apenas oito salas dos EUA exibiram o filme.


Habituado a frequentar o festival de Cannes, Boong Joon-Ho acabou sendo surpreendido em 2017 quando seu filme, Okja, foi barrado da competição pelo então presidente do júri, o cineasta Pedro Almodóvar. A decisão não tinha nada a ver com a qualidade cinematográfica do filme em si, e sim era uma obra produzida pela Netflix que não havia sido exibido em nenhuma sala de cinema. Joon-Ho ganhou as piores críticas da carreira e, paralelamente, recebeu uma vitrine naquele ano: foi um dos campeões de audiência no streaming.


Filho de artistas, Joon-Ho não poderia seguir outro caminho senão o da arte. E ele assim o fez. O público e os cinéfilos agradecem porque graças a sua obra o cinema asiático começa a chegar a lugares em que nunca teve inserção. Neste ano, a categoria de Melhor Filme Estrangeiro está interessante: além de Parasita, o espanhol Pedro Almodóvar - uma inspiração para o sul-coreano - concorre com Dor e Glória. “Ele é um realizador respeitável, e sempre adorei seus filmes”, disse o Joon-Ho à imprensa internacional. E é mesmo, mas Joon-Ho não fica muito atrás.



O indispensável de Bong Joon Ho



‘Cão que Ladra Não Morde’ (2000)









Uma ação condenável de um professor vai ter consequências inesperadas. Foi com esse filme que Joon Ho entrou no circuito dos festivais.



Mother: A Busca Pela Verdade (2009)








Uma mãe viúva tenta livrar a barra do filho doente de uma acusação de homicídio. O filme foi exibido no Festival de Cannes.



‘Parasita’ (2019)








Luta de classes. Todo o longa é permeado por essa palavra. Uma família de desempregados fecha o cerco em torno de um clã com grana. Levou o prêmio máximo de Cannes.




Trailer de 'Parasita' - Vídeo: Reprodução/ Telecine



apoie
No Brasil de Jair Bolsonaro, com a ascensão da censura e ataques recorrentes à mídia, o jornalismo independente se torna mais importante do que nunca. Não podemos nos calar.
Para isso, precisamos de você! Apoie o Jornal Metamorfose, jornalismo combativo e independente.
 
APOIE O JM!