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À deriva da insurreição popular

Editorial

Projeto de extermínio provocado por Jair Bolsonaro (sem partido) e sua trupe de militares milicianos já pode ser classificado como Ditadura Civil-Militar?

Vivemos um revival mal diagramado dos tempos de chumbo. Foto: Reprodução


“Os menor cresce revoltado contra o Estado /E depois da mídia passa como se nóis fosse errado /Seu sistema é de safado, aperta pro meu lado”, canta MC Salvador da Rima na música “Vergonha pra mídia”, lançada no ano passado. No último sábado (27), Salvador fui brutalmente detido pela Polícia Militar na Zona Leste de São Paulo, o artista foi espancado, enforcado e extremamente violentado em plena luz do dia (veja vídeo).


A repressão policial contra as pessoas periféricas, infelizmente, não é surpresa para ninguém no Brasil de Bolsonaro. Se Salvador não cantasse contra o estado, ele seria preso? Durante os anos de chumbo (1964-1985) vários artistas, militantes, estudantes e pessoas comuns também eram presas a luz do dia, retiradas brutalmente de suas casas.


Hoje vivemos uma sofisticação dos aparatos repressivos e genocidas, porém com os mesmos torturadores no poder. Bolsonaro é o reflexo direto de um grupo militarista que detesta a democracia e a liberdade dos povos, que tem nojo pela diversidade. Bolsonaro é o próprio golpe.


Lá na década de 1960, sem internet e redes sociais, com a censura infiltrada nos jornais impressos, rádios e televisões, uma prisão autoritária de um artista era muito mais difícil de ser noticiada. Alguns jornalistas inventavam códigos e metáforas para noticiar prisões e ações autoritárias nas entrelinhas das matérias publicadas. Nós não podemos louvar esse período tenebroso.


O que acontece no Brasil é um claro projeto de extermínio da população negra, pobre, indígena, periférica, lgbtqia+, de todos os comunistas e anarquistas. A pandemia de Covid-19 entregou um prato cheio de autoritarismo para os sicários fardados que atualmente ocupam o Palácio da Alvorada.


Já somamos centenas de milhares de mortes propositalmente negligenciadas, mortes que foram PLANEJADAS pelas políticas de não contingenciamento da pandemia. O governo federal provocou o colapso da saúde pública para desmontar o SUS e assistir de camarote a morte de milhares de pessoas a céu aberto, em pleno caos social. Aposto que Jair Bolsonaro sente tesão toda vez que ouve o número de mortes por Covid-19 aumentar drasticamente no Brasil.


Como se não bastasse morrer asfixiado nas filas de hospitais públicos colapsados, o ministro da economia recupera práticas de tortura monetária da época sanguinária do ditador chileno Augusto Pinochet. Paulo Guedes amplia a fome e miséria, a falta de emprego e constrói o desmonte da economia brasileira com exímio plano de extermínio, se engana quem pensa que o ministro é culpado somente por incompetência.


Mas o que dizer de toda a corja de tiranos que controla o governo? Cada um cumpre uma parte do plano: Damares Alves aumenta o feminicídio, evangeliza indígenas e cria instruções ideológicas para uma lavagem cerebral na população brasileira; já o ministro Ricardo Salles aproveita pra “passar a boiada” e destruir o resto de natureza que o Brasil ainda tem e de sobra ainda manda assassinar populações indígenas que protegem essas regiões.


Não podemos esquecer, é claro, dos militares. Ah, meus caros leitores, os militares!


Como se não bastasse o apocalipse, ainda temos um facínora comandando o Ministério da Saúde. General da ativa Eduardo Pazuello é o novo Carlos Alberto Brilhante Ustra (torturador louvado por toda a corja bolsonarista).


Vivemos um revival da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), os militares são os mesmos, o ímpeto autoritário e genocida também. A única coisa que mudou é o avanço da tecnologia de controle social: os militares não precisam nos colocar em pau-de-arara, eles deixam que a desinformação assassine as pessoas de Covid-19, mas se preciso estão com as armas apontadas em nossas testas.


Não se enganem, nós não vivemos em uma democracia.

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