• Rosângela Aguiar

15º CineBh começa dando um tapa na cara da sociedade

Cinema

A temática central desta edição Cinema e Vigilância foi mostrada por meio das mais diferentes manifestações artísticas na noite de terça-feira (28). O objetivo é debater a produção audiovisual e o consumo do capitalismo de vigilância

Performance audiovisual abre o 15º CineBH, na foto a apresentação do Jazz Orimauá. Foto: Universo Produções/Divulgação

Para quem conhece e para quem não conhece a capital mineira, o vídeo de abertura do 15º CineBH mostrou uma Belo Horizonte real, com suas contradições. A clara separação de dois mundos entrecortados por grandes avenidas, separados e distintos, mas que convivem lado a lado com o Centro unindo essas duas realidades. E ambas vigiadas por câmeras, drones... É o Big Brother da realidade oculta das grandes cidades como Belo Horizonte. E já no curta da abertura do 15º CineBH a temática central do festival Cinema e Vigilância é escancarada em imagens, dança, poesia e música.


“Que fiquem com seus reinos, porque vou ocupar o mundo inteiro”. Este trecho da poesia de Karine Bassi, moradora do Barreiro, local distante da região central e nobre da capital mineira dá a tônica do que se pretende debater no festival. Com sua poesia marginal, Karina Bassi do Aborda Cultural traduz o sentimento de quem está à margem de uma sociedade que nega sua representatividade. Escancarando o preconceito e o desejo de ocupar os espaços culturais das cidades, não somente de BH, de todas as cidades e por todas as pessoas, ricos e pobres, moradores das periferias e dos condomínios fechados.


Para o artista Biel Albuque é preciso resistir e buscar a própria identidade, ocupando os espaços culturais como forma de combater o racismo e o preconceito. E o que esta fala tem a ver com a temática central do CineBH? Tudo. Com o tema Cinema e Vigilância o festival quer levantar o questionamento acerca da produção e consumo de imagens do capitalismo vigilante. É contrapor esses dois mundos que se vê nas telas do cinema, do computador, do celular e do monitoramento de vigilância. O coletivo Forensic Architecture estuda e investiga o audiovisual, invertendo os objetivos das tecnologias de monitoramento e utilizando essas mesmas imagens para denunciar os crimes praticados por esses mesmos sistemas.


“Paz sem voz é medo” bradou em alto e bom som os músicos do coletivo Arautos do Gueto. A apresentação musical não foi apenas para entretenimento, mas em especial para a reflexão de quem acompanhou a abertura do 15º Cine BH. Uma discussão que chega em boa hora onde a arte se faz necessária para quebrar tabus e preconceitos, na busca de nos reapropriarmos da tecnologia a favor da arte. É quase um movimento de contracultura do século XXI, onde “a poesia estremece mais que AK47”.


CineBH


A Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte começou nesta terça-feira, 28 de setembro e encerra no dia 3 de outubro e pode ser acompanhado pelo site https://cinebh.com.br.


São mais de 90 filmes nacionais e internacionais para assistir, debates e rodas de conversa sobre cinema. O 15º CineBH também investe na formação e capacitação de profissionais em 11 cursos–oficinas, laboratórios de roteiros, workshops e masterclasses internacionais. E também terá sessões cine-escola, Mostrinha de Cinema, exposição e atrações artísticas.


Para saber mais da programação do CineBH acesse o site https://cinebh.com.br/


Confira a abertura:


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