#15M - Confira como foi os atos contra os cortes na educação pelo Brasil

May 18, 2019

#15M

 

O Jornal Metamorfose reuniu diversos depoimentos de pessoas que participaram dos atos no dia 15 de maio contra o corte dos gastos na educação, confira como foi os protestos em diversas cidades pelo Brasil: 

 

São Paulo

Fotos: Júlia Lee 

 

Marcelo Rocha, estuda ciências sociais na FMU e mora em Mauá.

 

Acho que esse protesto parte de um ato simbólico muito importante, ele consegue furar pela primeira vez nesses 4 meses de governo Bolsonaro a bolha da esquerda e dos movimentos organizados. Levando para a rua os secundaristas, que já tinham ocupado as escolas em 2015, e os movimentos que foram se fomentando pela educação desde então, não mais a partir por definições por cima de grandes partidos ou grandes organizações. Vejo esse protesto como um respiro de todos aqueles que queriam lutar por algo só que não se sentiam contemplados por outras pautas. Os cortes na educação conseguiu unificar as pessoas, desde aqueles que votaram no Bolsonaro à extrema esquerda, unificando várias pautas trazendo a clareza dos retrocessos que estão por vir. Principalmente os movimentos autônomos que conseguem trazer as pautas pouco escutadas que são as de transformação social das últimas décadas, como por exemplo meus pais que não tiveram acesso nem ao ensino fundamental e agora eu tenho acesso ao ensino superior, e a maioria da galera que a gente vê dentro do movimento autônomo tem realidades semelhantes a essa, e eles são impulsionados pra lutar pelas próximas gerações e pra conseguir construir a mudança dentro da sua árvore genealógica. 

 

Mariana, Minas Gerais

 

Fotos: Jaicle Melo

Jaicle Melo, nômade digital.

 

Me reuni com os estudantes, professores e trabalhadores da UFOP no pátio do campus ICSA, entramos para dentro do centro histórico até chegar na avenida principal, de lá fomos até outra campus, o ICHS, que fica do outro lado da cidade, portanto tivemos que atravessa-la, muita gente engajada na causa, os trabalhadores dos estabelecimentos se sentiam representados!

 

Paraná, Curitiba

Fotos: Lis Guedes

 

Oruê brasileiro, fotógrafo

 

O ato foi uma esperança ressurgindo, em Curitiba foi um dia inteiro de protestos, os primeiros atos foram chamados pelos sindicatos às 9hs da manhã pra ir até Assembléia Legislativa do Paraná. O CWB Resiste, que é uma organização autônoma, chamou um ato para às 17:30, que já na concentração lotou a escadaria do prédio histórico da UFPR, porém as entidades institucionais começaram a determinar uma rota pro ato, eles queriam ficar na frente da organização de um ato chamado pelos autonomistas. O que se desenvolveu numa treta, mas no fim das contas a gente conseguiu retomar a frente da mobilização, o protesto passou pela praça Rui Barbosa e terminou na reitoria da universidade federal. Deu em cerca de 20 mil pessoas, um dos atos mais cheios de Curitiba, o que é algo muito raro na cidade. 

 

Goiânia, Goiás

 Fotos: Abigail Botelho

 

Gabriell Araújo, estudantes de Ciências Sociais na UFG

 

No dia 15 de maio eu saí de casa com grandes expectativas e meu coração se enche de alegria ao dizer que todas elas foram superadas. Depois de quatro horas de uma ‘’assembléia estudantil’’ que mais assemelhava com um comício, o bloco autônomo que é representando pela FAT (Federação Autônoma dos Trabalhadores), tomou a frente do ato para mostrar para toda Goiânia a importância do ensino público, gratuito e de qualidade. Foram 20 mil pessoas que saíram de suas casas para se oporem a todos os cortes e investidas do atual presidente contra os direitos da população. Desde a eleição do Bolsonaro eu senti que seriamos esmagados pelo governo, mas o último dia 15 me deu a esperança que me faltava para continuar acreditando do poder popular.

 

Maceió, Alagoas

 

Alan Alvoravel, estuda Letras na UFAL, faz parte do Levante Popular da Juventude

 

Mediante à nossa atual conjuntura política, o dia 15 de maio foi um ato energizador. No centro da cidade, rodeado por meus companheiros de luta, estudantes e trabalhadores, pude observar tudo que passei uma vida estudando a respeito da oposição ao golpe de 64 tomar corpo novamente agora em 2019. Meus colegas, que haviam sido tomados pelo medo e andavam com esse peso nas costas, cabisbaixos, levantaram a cabeça e se colocaram a gritar em nome da educação gratuita, de qualidade e acessível para todos, visto que, independente de gênero, orientação sexual, cor e classe social, o ensino é um direito cristalino e negá-lo é mais do que ferir a constituição, é ferir uma nação. Hoje, três dias após o dia 15 de maio, me encontro leve, sem peso nas costas e olhando meus colegas nos olhos, olhos que clamam por luta, que se recusam a ficar na inércia enquanto as atrocidades desse desgoverno ocorrem e que querem e vão tomar as ruas para gritar que nossa luta é todo dia e a educação não é mercadoria. Parafraseando o companheiro Guilherme Boulos (ativista político filiado ao PSOL), hoje o medo está com eles, que irão relembrar a força do estudante, que no passado foi às ruas em 64 clamar pelo fim da ditadura e hoje, em 2019, volta às ruas para ser oposição de um governo fascista e excludente. Juntos, somaremos e mostraremos que o amanhã é uma zona onde não há espaço para preconceito e exclusão, e não aceitaremos que nenhum dos nossos direitos sejam retirados ou diminuídos. Nossa força é magna e nossa luta é nobre.

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