• Matheus Hanun

A mercantilização do ensino superior e a crise na formação de cabeças pensantes

No Brasil, há de se notar a transformação das Instituições Educacionais, sobretudo no nível superior, em mercadoria. Atualmente, há uma estimativa de 7,3 milhões de estudantes matriculados em faculdades, destes, 85,6% cursam em instituições privadas.

Não é de se assustar, pois a precarização do ensino público não é novidade, somada ao ensino básico esdrúxulo e à dificuldade de acesso ao ensino pelas camadas mais pobres, fica claro o porque do aumento crescente dos alunos matriculados em alguma instituição de ensino superior privado.

Não é difícil chegar à conclusão de que a mercantilização do ensino superior é um negócio lucrativo, ainda mais quando tomamos como objeto de análise os investimentos realizados nessa área, tanto nacionais quanto internacionais. Dentre as cinco maiores instituições de ensino privado, apenas a UNIP (Universidade Paulista) não é dirigida por um fundo monetário privado. E assim, a pergunta que nos vem à cabeça é: com tanto investimento, qual o problema do ensino privado?

No gênese das Universidades, o espaço acadêmico era um espaço usado para a criação de uma sociedade intelectual, onde era promovido o debate de ideias, o estudo de artes, filosofia, sociologia, em suma, a exploração da racionalidade. O formando era visto como um sujeito apto para tomar lugares privilegiados na comunidade, e exercer sua influência no caminhar da sociedade.

Com o passar do tempo, e a inevitável degradação do espaço acadêmico, o aluno não é mais visto como um indivíduo capaz de ocupar um lugar de importância na sociedade, mas sim como um número, um objeto que trará retorno financeiro, e em conjunto com a visão de mercado dominante, não faz sentido para a burguesia educar as massas, afinal, é melhor manter o cidadão na ignorância e desvalorizar sua mão de obra. Lucro pelo lucro.

Com isso, vivemos um dos maiores desafios da atualidade: a crise na formação de pensadores. Nosso sistema educacional, em discordância das principais correntes pedagógicas, é engessado, não estimula a consciência crítica social e política, a criatividade e muito menos o debate, que são necessário para o desenvolvimento intelectual, o que ocasiona na formação de meros reprodutores do senso comum, que é inadmissível no meio que deveria se formar a geração que vai ocupar os postos de decisão na sociedade.

No tocante à crise, é notável o impacto social que ela causa, a falta da formação de pessoas críticas e empáticas com a sociedade, resulta na elitização dos cargos de importância, a exemplo do Poder Judiciário, que nada mais é que a burguesia reunida e com o “martelo na mão”, onde sobra a soberba, e falta a humanidade.

A quebra desse ciclo consiste na arte do debate, da crítica, na ocupação dos centros urbanos, na protagonização dessa juventude pensante que se cansou de ser vista como massa de manobra da elite, que não dá a mínima para os problemas que a nossa sociedade enfrenta. Um ode à resistência intelectual brasileira, e um enorme FORA TEMER.