Uma crônica bêbada de Natu Nobilles

September 22, 2017

Amigo bebum, eis um dos assuntos que mais domino nesta vida - que jornalismo, literatura que nada! Como sou desprovido daquela velha opinião formada sobre tudo, mantra destes tempos em se tecem pareceres sobre tudo nas redes sociais, começarei esta crônica molhada à cerveja por um assunto de suma importância aos boêmios: o bar, boteco, botequim, seja lá como tu chamas o estabelecimento que comercializa bebidas, petisco e que serve de ponto de interação entre as pessoas.

 

Sim, no sol das grandes ressacas, como afirmaria o bom e velho Hemingway, profissa na arte de enxugar copos e garrafas, é normal se pensar em casamento, ser um bom homem, jurar que nunca mais irá pôr uma gota de cerveja na boca, mesmo tudo isso sendo uma deslavada mentira. Quando se vai fazer algo, meus amigos, a tendência é levar a coisa a sério, já dizia Hunter Thompson. Como esquecer do gonzo num texto sobre bebedeira?

 

Nobre bebum, o fato é que o pós-expediente da firma nos chama para a bebedeira. Molhar a palavra é essencial, pois não há nada para se fazer numa sexta-feira à noite. Fechar aquela edição de final de semana do jornal –sou gutemberguiano irremediável em plena era da internet – é a premissa para o bar, não há como fugir nisso.

 

Tentei, juro, deixar de frequentar essas espeluncas, todavia entrei num tédio sem precedentes, a música parou de tocar, até deixei de escrever, cacete!  Dá para acreditar num troço desses? Jornalista que não escreve, essa é boa! Pois é, é tudo pelo jornalismo, até a putaria e a bebedeira, vibe o gonzo, cujo personagem é a própria notícia, ou melhor, o responsável pelo desenrolar dos fatos.

 

Obviamente, como aprendi nesses anos de estrada etílica, é fundamental guardar o nome do garçom. Afinal, é no ombro dele que vais chorar quando tocar aquela dolorosa do Chrystian e Ralf, a inevitável, linda, maravilhosa e eletrizante dor de corno, é ele quem irás te servir a cerveja – gelada ou quente, depende do teu tratamento, ninguém é obrigado a nada, pense bem.

 

Na saúde e na doença, lembre-se, a culpa sempre será daquele tira gosto desgraçado, daquela linguiça apimentada, daquele torresmo, daquela azeitona... jamais, sob hipótese alguma, a culpa da tua homérica ressaca será da bebida, mesmo que tu saibas que uísque falsificado derrete o sistema gástrico - ou contribui para destrui-lo.

 

Outro ponto importantíssimo: a divisão do discurso na mesa do bar tem de ser cirurgicamente respeitada: 50% sobre mulheres, 40% sobre futebol e 10% sobre ressacas monstruosas. Salvo em raríssimas exceções, há espaço para articular aquele movimento contra as insanidades que são postas à mesa neste contexto turbulento pelo qual o país passa.

 

Sem delongas, sem drama, é isso mesmo. Nas tábuas sagradas da boêmia, toda falha é considerada uma infração gravíssima. A impunidade reina neste país, símbolo do molejo, do futebol arte, da cachaça, do gingado e do samba, então que a Carta Magna da boêmia seja cumprida, e, antes de tudo e sobretudo, sirva de anestésico para a dor de ver tudo ruir pelos ares. O resto é resto. Abraço. Até a próxima.

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