• Marcus Vinícius Beck

Amanhã vale tudo: desde pedir grana para ir ao Serra até gritar bêbado após a partida

Amigo bebum, por obséquio, amanhã (14) é dia de clássico. E, de acordo com a tradição da Vila Famosa, Goiás e Vila é Goiás e Vila. Neste dia, pasme, pode-se tudo, desde se entorpecer angustiado esperando para ir ao estádio, até inventar milhares de desculpas futebolísticas, daquelas que só fazem sentido se o cara é um devoto ao sofrimento clubístico.


O resto, caro leitor, é o resto, e não é importante para os sentidos de um homem cansado de levar porrada da vida enumerá-los aqui. Mais uma, por favor.


Vai que é tua, Wilson Simonal. “Hoje é dia de futebol”.


Amanhã é dia de beber, de extravasar, de amar, de gritar, de odiar. Amanhã é de dia ouvir Leandro e Leonardo e cantar músicas em inglês com aquele sotaque goiano inconfundível. Amanhã é dia de beber Bavária e emprestar dez contos de algum conhecido com a promessa de que logo a dívida será paga, ou pedir um adiantamento para a chefia, afinal clássico é clássico e vice-versa.


Amanhã vale tudo, conforme a sabedoria dos torcedores e fervorosos de plantão.


Bem, é de suma importância ressalvar que as mulheres, exceto em circunstâncias excepcionais, odeiam ver um cara vociferando “chupa” quando vê uma partida de futebol. E adivinha por quê? Não sabe?


Entrego: o vocábulo carrega consigo conotações selvagens, chega a ultrapassar, na tabela feminina, qualquer outra babaquice protagonizada por nós, como o foguetório em dia de título, o buzinaço na porta da sede do rival, a mensagem bêbada às quatro da manhã – aliás, um homem que liga para a moça de madruga sente algo inexplicável por ela, não é possível.

Por essas e por outras, pode-se dizer, elas são seres superiores a nós. Inclusive, o "chupa" é repudiado até pelas que amam a peleja. Já tive algumas provas disso no concretão do Serra Dourada, quando o zagueiro do Vila entregou um gol e o silêncio imposto contaminou as arquibancadas.


Nessas horas, ponderei, não restava mais nada a se fazer a não ser bradar a plenos pulmões coisas que nem valem a pena pôr neste sério espaço.


Todavia, meus amigos e amigas, como sou assumidamente um sofredor clubístico, evito a todo custo entrar nessas discussões com a moça amada e desagradá-la.


Em tempos em que mais vale o esquema tático do que a subjetividade da partida, meu jornal pessoal – sim, sou um gutenberguiano irremediável, já gastei solas de sapato e anotações nesta breve carreira de repórter – berra uma crônica esportiva sobre o gol, meu caro Paulo Mendes Campos: “O gol é necessário, o gol é o pão do povo”.


Seu Xavier, traz mais uma por favor, desta vez não tenho dinheiro, o patrão atrasou o pagamento. “Será que dá Vila no clássico?”, pergunta ele, abrindo uma Brahma. “Difícil, mas clássico é clássico e o sobrenatural de Almeida pode entrar em campo no Serra”, respondi.


O Tigre, meus caros, prefere ficar em silêncio no seu canto, mas quando a situação exige que ele se manifeste o resultado é conhecido por todos: luta e amor, amor incondicional, diga-se de passagem.


Chega de blá blá blá. Vamos brindar, porque o Vila precisa, o Vila merece. Até a próxima semana. Tchau, obrigado!