• Marcus Vinícius Beck

O beabá do machismo goiano

Amigo boêmio, na última semana os relatos que vieram à tona por meio da ferramenta virtual facebook chocaram este humilde, alcóolatra e machista cronista de costumes. Sim, a gente é machista, e é fundamental termos isso em mente para tentar melhorar como ser humano. E não passar vergonha diante de uma mina, como fazem há tempos figurinhas que estão sob os holofotes aqui na terra do pequi.


Por mais que a gente se diga envergonhado, por mais que você, homem que se rotula ‘sensível’, lute por melhores condições de vida às mulheres; por mais que tente eliminar o machismo através de atos e palavras, é importante saber: a gente ainda é machista pra cacete.


Por mais que você não compreenda os meandros dos machos que sempre buscam culpar as “vadias”, mesmo quando o culpado são eles pelos assédios psicológico e sexual que praticam; por mais que você condene o discurso de homens que se escondem atrás da verborragia de ‘feministos’, mas no fundo, no fundo são autênticos cretinos e canalhas; por mais que você evite, por tudo que é mais sagrado, curtir o som feito por abusadores na cena underground de Goiânia; por mais que você troque uma ideia com feministas – e sempre aprenda com elas -; a cada onze minutos iremos atender uma ocorrência de estupro.


A gente, permanentemente, será machista. A gente, infelizmente, viveu durante séculos sob a batuta do patriarcado. Contudo, mesmo tendo tido minas porretas na literatura, como Anais Anin e Virginia Wolf, na música, Rita Lee e Grace Slick, e na dramaturgia, Leila Diniz, pouco evoluímos.


Ainda seguimos tristemente estagnados. Nesta cachola boêmia não entra, de jeito nenhum, uma coisa: como pode um cara transar com uma mina de forma não consentida? Pior, com a mina inconsciente! Existe prazer nisso, Jesus Santíssimo?


Porra! Daí, passamos a tomar conhecimento da merda toda: os ‘alternativos’, essa galera que entoa suas guitarrinhas desafinadas e que criticam tudo e todos por aí, que contam com a blindagem de jornalistas culturais ligados a jornalecos e com pouquíssimo senso-humanístico, não passam de meros fantoches de refugiados da geração do amor. Todavia, estão longe de sê-lo, por razões óbvias.


A verdade é que todos somos machistas. “O machismo nos machuca, nos agride e nos consome diariamente”, esclarece Olga Benário*, 24. A diferença, caro leitor, está na graduação de cada um. “Os caras forçam a barra com assustadora frequência”, completa.


Tudo, simplesmente tudo, o que a gente falar sobre isso ainda vai ser pouco. Temos que ouvir e aprender. Se a cultura do estupro é intrínseca aos homens, vamos buscar diminuí-la, refletindo sobre aquela piada que contamos na mesa do boteco quando a não há ninguém por perto.


O homem é uma fraude, um mito, uma piada, porém uma piada de doloroso mau-gosto. Narrativas eróticas, até mesmo aquelas que pagam de desconstruídas, que suscitam um quê de dúvida em quem as ouve, pode ser considerada perversamente perigosa às mulheres.


O falso intelectual, quer dizer, aquele que se esconde atrás de títulos de mestre e doutor, além de gargantear versos pífios e elitizados que fazem o velho Leminski e o marinheiro homossexual Walt Whitmann chorar na tumba, não é nenhum pouco legal, é ridículo mesmo. Demais.


Como diz a cantora Elza Soares, que sofrera abusos quando estava casada com o craque Mané Garrincha: “Você vai se arrepender de levantar a mão para mim”.


Nobre leitor, na próxima semana, se tudo ocorrer dentro do bom-senso, este cronista que vos enche o saco voltará ao seu reduto boêmio/literário. Até a próxima semana.


*O nome foi mudado para preservar a identidade da fonte