Previdência, a perversidade da vez

November 29, 2017

As Reformas Trabalhista e da Previdência pretendem agredir o proletariado brasileiro. Mas para entendê-las faz-se necessário retroceder um pouco no tempo, e voltar ao fundador do PSDB, Franco Montoro. Dele, dizem estudiosos, vem a tal da política neoliberal, que passou, ao longo dos anos, a tornar-se o cerne da ideologia tucana. Essa precária financeirização do capital e, por conseguinte, da mão de obra barata, que encontramos na periferia do capitalismo, é uma das características mais perversas desta forma selvagem colocada em prática com figuras como Margaret Thatcher e Ronald Reagan e embasada em Milton Friedman.

 

Os mais ‘cultos’ e elitistas, pasme, estão inteirados na missão de excluir direitos conquistados após muitas lutas por parte da classe trabalhadora, vide Comuna de Paris, no final do século XIX, e vide a paralisação no ABC paulista, em meados da década de 1970. É fato que esse pessoal de terno e gravata, donos da ordem do discurso, querem impor goela abaixo condições precárias e insalubres de trabalho. Para conseguir a adesão da população, eles vão aos meios de comunicação e, através de ‘especialistas e dados do FMI e Banco Mundial, arrotam que a única saída para superar a crise’ e elevar o índice de desemprego é o flerte descarado com a política neoliberal.

 

Trabalhador é bagaço, pensam eles. E, por isso, desejam lhe suprimir o domingo, agora, dá para crer? Sim, de agora em diante o trabalhador será alugado. O proleta deverá economizar para ter sua futura aposentadoria assegurada – sim, daqui para frente o que mais tem se falado é sobre os longos anos que será preciso para garantir o direto à aposentadoria. Eles dizem que a ‘reforma’ da previdência era necessária para o Brasil. Até faz sentido. Porém, o que está longe de ter sentido é a tal da ‘modernidade’ da previdência, arrotada pelos canais de comunicação por meio do discurso de magnatas incultos e igualmente canalhas.

 

Além disso, com a Reforma da Previdência, o tempo mínimo de contribuição aumentará de 15 anos para 25 anos. O problema que se vislumbrará no fim do túnel é a quantidade exorbitante de trabalhador que procurará trabalho informal. Fora outros que chegarão aos 65 anos sem conseguir comprovar os 25 anos de contribuição. Em suma: o Projeto de Emenda a Constituição 287 (PEC) atingirá aqueles que, historicamente, estão à margem do status quo. Por isso, além de limitar canalhamente o acesso à aposentadoria, a proposta de Temer reduz o valor dos benefícios e, com isso, deixa os mais pobres extremamente desamparados.

 

Marx tinha razão: as ideias não existem para serem separadas da linguag

 

em. Nietzsche, idem: a linguagem traduz o pensamento. Ora, com base nestes dois gênios do século XIX, o século das trevas, da Revolução Industrial, vê-se que, de agora em diante, o trabalhador terá de ter forças para ser explorado até não aguentar mais. Afinal, pergunto-me, o que é um trabalhador? Simples: Para o capitalista, o que vale não é o trabalho, e sim o trabalhador. O velho Marx tinha, mais uma vez, razão: os proletários do mundo possuem a revolução nas mãos, mas são saqueados diariamente. É inaceitável aturar, de boca calada, os desmandos de Temer e sua corja. Pensemos nisso.

 

A verdadeira história, como diz o sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos, é a seguinte: o povo tem de ganhar mais e trabalhar menos, bem menos. E, caso seja necessário protestar, nada melhor do que ficar em casa cultuando o ócio, curando a ressaca e lendo livros. Afinal, um trabalhador de ressaca e ocioso está lutando e protestando contra o capitalismo e, diante disso, fazendo com o que patrão lucre menos. Já diria a crônica etílica.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

November 23, 2019

November 22, 2019

November 21, 2019

November 19, 2019

November 18, 2019

November 18, 2019

Please reload

Posts Recentes
  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle

Apoie o jornalismo independente e contribua para que o Jornal Metamorfose continue a publicar.

Fale com a gente: sigametamorfose@gmail.com