A simplicidade da vida humana em uma tela grande

January 19, 2018

Jeanne Dielman, 23 Commerce Quay, 1080 Brussels fez sua estreia em 1975, com suas quase quatro horas de duração, trazendo em seu enredo nada mais do que a vida de uma mulher em detalhes meticulosos e sem pressa alguma, usando nada além do hipnótico poder do cinema e mudando completamente a cara do cinema europeu.

 

A monotonia, o casual, o dia-a-dia e experiências de vida onde não há a presença do extraordinário às vezes podem parecer pouco atrativos em meio a grandes blockbusters que saem a cada semana que passa, mas são essas histórias que trazem consigo a natureza e profundidade humana e de suas relações.

 

Em 2017, Lady Bird viu a luz do dia e rapidamente se tornou um coming-of-age definitivo, conseguindo conquistar a nata do cinema com uma surpreendente leva de criticas positivas, quanto do público, onde eu conseguia ver mais e mais amigos se vendo e relacionando suas vidas com o que tinham assistido. Eu realmente perdi a conta de quantas vezes li mensagens e postagens com “Lady Bird é totalmente a minha vida!”. 

 

Lady Bird causa um grande impacto, onde talvez você possa se encontrar chorando sentado na cama pensando em toda sua vida em plena madrugada, justamente por trazer esse sentimento agridoce, esse abraço necessário e acolhedor.

 

Call Me By Your Name também traz uma atmosfera pessoal, quase que sensorial, onde tudo se constrói com base em descobertas, paixão, família, conflitos pessoais e a beleza da Itália. O filme de Luca Guadagnino não oferece nada além de tudo aquilo que nós estamos sempre cercados: experiências, calor, amor, desejo, música, sexo e uma tentativa de compreender e seguir com a maré tudo o que acontece o tempo todo. O filme constrói toda sua beleza usando apenas paisagens de tirar o fôlego, uma trilha sonora brilhantemente feita por Sufjan Stevens e na relação de Oliver e Elio, feita e escrita da forma mais pé no chão possível.

 

A sensação de viver a vida de alguém é completamente arrebatadora, terminar um filme arrepiado ou com o sentimento de que algo foi tirado de você - mesmo quando na verdade foi exatamente o oposto - é algo difícil de explicar, é como se você tivesse acabado de acompanhar de perto a vida de um amigo, ou talvez escutado esse amigo falar por horas enquanto vocês estão sentados em uma mesa de bar (exatamente como me senti após ver os incríveis filmes de Truffaut sobre a vida do icônico Antoine Doinel).

 

Como é dito em Boyhood, curta o momento, ou deixe ele curtir você, a vida é isso, nada de extraordinário, apenas experiências e pessoas vivendo o curto e insignificante momento em um enorme e antigo universo. E a beleza de tudo está justamente aí.

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November 11, 2019

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