• Marcus Vinícius Beck

Goiânia: transporte público caro e deficiente



Mesmo diante do anseio popular, o aumento da passagem de R$ 3,70 a R$ 4,00 foi deliberado no fim da tarde desta segunda-feira na região metropolitana de Goiânia. A alta teve aprovação por nove votos a dois entre membros da CDTC e CMTC, e agredirá na próxima quarta-feira pela primeira vez o bolso dos assalariados. Em contrapartida, o Movimento Contra a Catraca ganha sangue novo e organiza ato para os próximos dias.


Na reunião, que contou com a presença dos principais ‘veículos de comunicação’ do Estado, empresários e políticos, foi apresentado o estudo que pautou toda a discussão acerca do aumento. Mais uma vez, a desculpa é de que o custo do transporte está elevado, e não há outra saída a não ser subi-lo, nem que para isso seja necessário coibir determinados grupos sociais de ter acesso à cidade. Agora é oficial: a tarifa teve alta de 9%, enquanto o salário mínimo foi reajustado em pouco mais de 1%.


Fã da medida, o prefeito Iris Rezende (PMDB) votou sim e foi seguido pelo Secretário de Habitação e Planejamento da Capital, Agenor Mariano. Antes do fim, ambos abandonaram o salão nobre do Paço Municipal. “O poder público precisa ter responsabilidade de votar o aumento”, diz. Para ele, que tornou-se publicamente defensor da medida nas últimas semanas, quem não cumprir sua parte, “não terá nem responsabilidade de chamar a atenção das concessionárias”.


Por outro lado, o representante da CDTC da Câmara Municipal, vereador Clécio Alves (MDB), disse que era contra o aumento, mas sugeriu que os terminais de Goiânia passassem a ser administrados por empresas terceirizadas. Em seguida, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, afirmou que era contra o posicionamento de Clécio.


Seleto rol


Com a alta na passagem, Goiânia entra para o seleto rol de cidades com preço exorbitante no transporte público. Mas isto não parece incomodar nenhum pouco empresários e políticos que estavam reunidos e abraçados no Paço Municipal. Aliás, para eles está tudo dentro dos conformes. À frente da Capital no quesito ‘dor no bolso’, está Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis. As outras têm o mesmo preço, ou mais baixos.


Em meio ao esforço de engravatados para aprovar o aumento das tarifas, o Metamorfose ratifica seu posicionamento contrário a intenção de cercear o direito das pessoas, especialmente as de baixa renda, de terem acesso ao espaço urbano. O prefeito Iris Rezende, como era de se esperar, crê equivocadamente que a modernidade se dá em ruas enfestadas de carros, motos e ônibus. Ledo engano.


Por isso, mesmo que haja aumento na tarifa, é fundamental erguer a cabeça e ir à luta. Afinal de contas, enquanto trabalhadores e estudantes reclamam do preço abusivo, empresários entram em seus carrões de luxo e gozam de privilégios típica e irritantemente mesquinhos. A cidade é do povo, e desenvolvê-la a eles é o principal motivo para que guerreiros urbanos dispostos a reivindicar e pontuar alguns pontos aos canalhas-mor do transporte continuem empunhando cartazes e brigando.