Aceitar ou não uma benesse que você não tem direito é ou não um ato de corrupção?

February 4, 2018

Hoje vou contar uma história verídica para que possamos refletir sobre os pequenos atos de corrupção que quase todos (seria injusto com alguns generalizar, inclusive com os protagonistas desta história). E me reservo o direito, garantido pela Constituição Brasileira e pelas leis internacionais, de não revelar a fonte, uma vez que o caso me foi contado a “boca miúda”, um segredo.

 

Recém-casados, felizes, tiveram a primeira e única filha. O avô, militar, fez uma proposta considerada indecente pela mãe, que recusou com o consentimento acertado do pai da criança. Poucos devem saber que filhas (sim, apenas mulheres) de militares têm, além da esposa, direito à uma polpuda pensão após a morte do esposo e progenitor. No caso da filha, a pensão é paga até que ela se case! O mesmo, não sei se ainda é, vale para filhas (outra vez apenas mulheres) de juízes, também pelo resto da vida se não casarem no civil.

 

E proposta indecorosa do avô militar foi: “vamos registrar a menina no meu nome para garantir a ela pensão porque assim vamos assegurar seu futuro”. Isso mesmo caros leitores. Esta foi a proposta de pronto negada pela mãe que ficou boquiaberta e indignada, ofendida até.. mesmo sabendo da “boa intenção” do avô. Hoje, inclusive, o casal está separado e a mãe passa por sérias dificuldades financeiras e se tivesse aceitado tal proposta hoje a filha seria “órfã” de pai (que no papel seria o avô) e estaria muito bem financeiramente, já que a filha, que já é maior de idade, mas ainda não se casou, estaria recebendo uma pensão que passa dos dois dígitos.

 

E eu perguntei recentemente à mãe: se fosse hoje, você aceitaria a proposta do seu sogro? Ela nem pestanejou: Claro que não! Pois é, mas muitos diriam que sim. E você, o que responderia? A resposta está diretamente ligada à ética e à honestidade, uma vez que estaria burlando a lei para obter favorecimento financeiro, em outras palavras, benesses à custa do dinheiro público, meu, seu, de todos os brasileiros que com muito custo pagam caros impostos.

 

E nesta mesma família temos um outro exemplo. Sabe quando citei acima que filhas de juízes solteiras (que não casaram no civil, perante à lei) também têm direito à pensão até morrer? Então, a cunhada do avô era filha de um juiz federal e nunca se casou oficialmente, mas viveu maritalmente com o companheiro por anos, trabalhava no serviço público e recebia a pensão do pai juiz. Uma pensão polpuda como são os salários de juízes, por sinal. Não vou julgar os motivos desta mulher não ter casado oficialmente, não me cabe tal julgamento. Mas ela se beneficiou até morrer da pensão do pai juiz. Certo ou errado?

 

Vejam, estas leis beneficiam mulheres e eu, como mulher, assim como a mãe que recebeu a proposta do sogro militar, não concordamos com estas leis. E tem muita gente que se beneficia destas leis espúrias deste país varonil. Por beneficiar apenas mulheres eu poderia concordar, não é mesmo? Não, de jeito algum porque beneficia uma pequena parte em detrimento de aposentadorias e pensões pífias para a grande maioria da população. E a Reforma da Previdência que pretende o Governo Temer não mexe com estes privilégios que tanto sangram as já combalidas finanças da Previdência Social, mas tira o direito de quem ganha pouco e não faz parte da classe abastada e privilegiada da população (uma minoria, diga-se de passagem).

 

Mas a questão que coloco e abordo neste artigo de hoje não é sobre a Reforma da Previdência, já abordei a questão em outro texto falando que a reforma da não aposentadoria. A questão de hoje são os pequenos atos de corrupção que levam o país à bancarrota.

 

Colar na prova, furar fila, parar em local proibido, ficar com o troco errado, aceitar um a mais para fazer exatamente o que chefe quer (mesmo que você não concorde com o que será feito), são inúmeros pequenos atos que muitos cometem no dia a dia para poder levar vantagem de alguma forma. Assim começa a corrupção.

 

Agora voltemos à história deste texto. Se a mãe tivesse aceitado a proposta do sogro, qual mensagem ela passaria para a filha? Será que ela seria uma pessoa ética? Como ela enxergaria tal atitude, como normal ou não? Posso afirmar, caro leitor, que a filha é honesta e apoia a mãe na decisão que tomou, mesmo com todas as dificuldades financeiras que passam no momento. É  isto que temos que pensar e refletir. Boa reflexão!

 

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