• Júlia Lee

Triângulos do sono

Quando as luzes do conhecer espairecem sob quadros em aspirais refletidos em bares, percebo a mente etílica que percorre os pensamentos questionadores de um verão do amor, será que a realidade se encontra somente no espectro das sombras de estruturas do sangue diluído nos dramas cotidianos?


São robustos corpos tridimensionais, malditos controladores da matéria. Vejo singelas poesias nas sinuosas estrelas que conectam seu ser, quiçá as constelações de sua mente voam entre furacões para transmutar o denso sentir que se tenta racionalizar em palavras da nossa pobre língua.


Pelo menos temos a palavra saudade no nosso vocabulário. Nostalgia de um tempo que nunca existiu? Seria possível o percorrer das alucinações cotidianas levar aos caminhos do novo? Será que resistimos sem morrer a mente doente pelas provocações noticiosas de uma realidade ilusória?


Se criam bens intelectuais, consumos de sentimentos distópicos quando poderíamos criar o algo mais.


Afinal, o que temos a perder senão a própria concepção de inferno?

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