Fuja pras si mesmo ou morra se vendendo

April 19, 2018

No primeiro texto  da coluna Experimente-se foi tratado o que seria conhecer a si mesmo e como não ser tão afetado pelos sistemas regentes em nosso contexto, principalmente ocidental - ou seja, como não ter uma vida baseada no capitalismo, nas religiões, e nas demais engrenagens que são movidas para nos tornar seres não pensantes.

 

Neste terceiro texto a intenção é mostrar como funcionam essas engrenagens, como fomos moldados ao longo de séculos, quais padrões inconscientes foram criados nas mentes humanas para que ela chegasse onde chegou. Mas por tratar de autoconhecimento, falaremos de características humanas para falar deste assunto juntamente com outros fatores históricos recorrentes.

 

Traçando uma linha do tempo imaginária, partiremos para o princípio da humanidade, quando o ser humano começa a usar a ferramenta. A princípio esta poderia ser usada para usufruto de todos, para facilitar a alimentação, a caça, porém o ser humano já vivia em tribos até então, isso significa que, a partir do momento em que algum indivíduo daquela época percebe que no lugar de uma ferramenta, ele possui uma arma, um aspecto da psique humana já é detectado, o egoísmo, segundo Freud, “a sociedade e seus membros só têm importância para o indivíduo à medida que favorecem ou contrariam a satisfação de seus instintos”, aí o indivíduo vai perceber que dentro da sua tribo, todos os outros membros podem se tornar submissos, ou poderiam morrer facilmente.

 

Agora podemos dar um grande pulo na linha do tempo até os séculos XV e XVI, os períodos colonialistas, onde se vê sociedades “avançadas” invadirem outras sociedades não tão avançadas, mas o que seria este avanço? Uma sociedade que já tem o ego tão inflado seria mais avançada que uma nativa que ainda vive da tecnologia presente na natureza?

 

O grande problema disso tudo é que as armas já são mais poderosas e podem matar com muita facilidade.  Mas vamos considerar apenas que todos temos nossos lados negativos e positivos e que, até então, alguns indivíduos tinham seus aspectos negativos bem acentuados, tais indivíduos não estavam contentes com suas conquistas e grande parte dessas pessoas se tornaram invasoras de outras civilizações mais nativas, mas que até então viviam suas vidas em paz (mesmo com o canibalismo que era algo recorrente em algumas tribos da América, Ásia, África, entre outros continentes que tiveram partes abusadamente invadidas).

 

Grande parte dos nativos dessa época foram mortas e outra parte se tornou escrava, a justificativa era os abençoados recursos naturais presentes no planeta e que estavam na hora de ser comercializados. O que isso tudo quer dizer, a busca destes seres humanos na época não eram a belíssima natureza presentes nos continentes invadidos, mas sim, o poder por trás daquilo tudo.

 

Agora vamos para um aspecto mais intimista das invasões, onde alguns poderes são passados dentro das próprias colônias, onde já não há, em muitos lugares específicos, o poder nas mãos dos estrangeiros, mas sim, nas mãos dos próprios nativos, que são escravos dos estrangeiros, aqui já não há mais civilizações nativas e sim, sociedades hierárquicas.

 

Cabeças e mais cabeças foram roladas (mas muitas cabeças mesmo), e o resultado foi, já não havia nenhum poder inerente, todo o poder estava nas mãos dos colonizadores. Isso é algo que aconteceu em todos os continentes citados acima, alguns ainda se deram melhores que outros, dos quais estão sofrendo muito até os dias atuais com fome e miséria extrema, outros “apenas” com as desigualdades sociais, que são extremas também.

 

Digamos que a partir do princípio, a coisa foi se afunilando cada vez mais, países foram se formando, estados, cidades, cada sociedade a sua forma, com sua estrutura, mas sempre com o poder na mão de um indivíduo que na maioria esmagadora das vezes toma decisões baseadas na satisfação de suas necessidades, sem pensar no coletivo (podemos ver isso claramente na nossa política brasileira).

 

E o que isso tudo quer dizer?

 

Depois de tantos anos sendo tratados como escravos, as pessoas acabam aceitando sua escravidão, tantos anos de poder, as pessoas se acostumaram com o mesmo, se tornando regras inconscientes (lembrando que mesmo numa escala muito menor, o poder também afeta classes mais baixas, o que gera indivíduos que são capazes de tudo para estarem acima dos outros em qualquer esfera) e que toda essa universalidade que nos foram colocados como regras, mas que, definitivamente, não são e aqui vai o por quê.

 

As regras são criadas para serem compridas, isso são só padrões que estão no nosso subconsciente e que podemos ser e chegarmos aonde quiser, como?

 

Autoconhecimento.

 

O autoconhecimento ajuda o indivíduo a se situar em sociedade e em si mesmo. Será que você está fazendo o que gosta? Você sabia que vivemos como escravos? Será que você pode chegar aonde quiser se sair da engrenagem?

 

“Ah, mas eu vou ficar pobre!”

 

Te trago uma informação quentinha, você não vai ficar pobre, faça o que gosta, mude sua vida totalmente e seja livre, a maior liberdade de todas você já tem e está dentro de você, use sua criatividade ao seu favor e pare de vender sua força de trabalho! Por que?

 

Porque quanto mais pessoas fizerem isso, mais esse sistema de escravidão inconsciente vai acabar, pois são padrões que nos foram impostos ao longo de séculos, quem disse que você vai ficar pobre? Você vai ficar pobre se você se vender todos os dias por um salário que dá só pra pagar as contas e ficar apertado no resto do mês, porque neste curso todo de vida não nos é ensinado planejamento financeiro, se fosse ensinado talvez a coisa estaria mais branda.

 

Fomos enganados até agora, a linha do tempo foi pra mostrar que alguém descobriu algo que pode manipular a todos e que até então não sabíamos que éramos manipulados, tudo ficou naturalizado mas se formos olha nossa história, nosso sistema foi criado em cima de sangue e cabeças, a chave para sair disso tudo é não focar em acúmulos e sim, momentos, hoje a maior riqueza de um pai de família que trabalha o dia todo é chegar em casa e ficar (pouquíssimo) tempo com sua família.

 

Portanto a dica que dou é: arrisque, largue seu emprego que te escraviza por merreca e seja você mesmo. Se você não sabe quem é você, tá na hora de tirar um tempo pra isso.

 

Lembrando que riqueza e pobreza são no fundo, “estados de espírito”. Um espírito rico, sem ser focado em dinheiro, mas em luz, harmonia, equilíbrio e paz pra viver sua jornada da melhor forma possível. Para pra pensar um pouco, não somos feitos para sermos seres miseráveis, nossa origem ancestral é abundante e próspera, se sua vida não está assim, algo está errado.

 

Referência: Os Campeões do Egoísmo: Ayn Rand, Freud e a Psicanálise. Acesso em: 15 de janeiro de 2018. Disponível em: < http://www.budavirtual.com.br/os-campeoes-do-egoismo-ayn-rand-freud-e-a-psicanalise/>.

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