A divertida onda da banda Molho Negro

Fotos: Mídia Ninja 

 

A Molho Negro nasce em Belém do Pará em um cenário marcado pela decadência dos grupos de pagode, pelo intenso movimento de resgate e popularização de ritmos tradicionais como o carimbó e pela revolução que estava em curso no tecnobrega. No meio dessas mudanças, Augusto Oliveira (bateria), João Lemos (guitarra e vocal principal) e Raony Pinheiro (contrabaixo) se viraram para um público seleto e começaram a cantar sobre coisas que nunca mudam. Em meio a riffs, frases de guitarra e refrões, estereótipos da classe média, pequenos (médios e grandes) fracassos cotidianos, o mainstream, uso de drogas, entre outros temas, consistem nas referências utilizadas para a composição das músicas.

 

Não raro, os hits da Molho Negro provocam algum embaraço em quem as ouve. Esse constrangimento é resultado de uma identificação com os personagens descritos sarcasticamente nas letras. Versos como “vindo de você, eu esperava bem pior” ou “o meu melhor amigo encontrou Jesus/enquanto eu sigo dando lucro pra Souza Cruz” se repetem na cabeça dando verdadeiros socos na cara de quem escuta. Além disso, são a marca do estilo da banda que inova explorando o contato com o público. Este, muitas vezes, acaba sendo a vítima do trio.

 

Por isso, em um show da Molho Negro, cuidado ao rir do seu amigo que está ao lado por ouvir uma história parecida com a dele em alguma música, ele pode rir de você na próxima. Afinal de contas, um dos lemas da banda é: o inimigo ri enquanto você cai ;) - assim mesmo, com expressão virtual irônica e tudo. Qualquer semelhança entre sua vida pessoal e as letras não é mera coincidência.

 

BANANADA

 

Fotos: Mídia Ninja 

 

Com formato de show menor, a Molho Negro tocou músicas dos seus três álbuns de estúdio. O repertório compacto não foi impedimento para que a apresentação fosse intensa, a banda conseguiu trazer para o palco Sympla a sensação de quem estava há 20 anos atrás no Martim Cerere – nos primeiros Bananadas, um show com intimidade orgânica e um grande “foda-se, vou entrar nessa onda!”. 

 

Um tanto quanto vanguardista, já que a cena ‘underground’ vem seguindo a tendência pop de shows com um roteiro fixo. Em entrevista concedida ao Metamorfose, os meninos da Molho Negro explicam que “o show é o único momento onde você pode literalmente tocar na pessoa que tá ouvindo a música, como reagem a isso é sempre uma surpresa, e na verdade é meio que a intenção, jogar os dados e ver o que a combinação de banda e público vai ocasionar em cada situação”.

 

 Fotos: Mídia Ninja

 

E de fato, a Molho Negro animou tanto a galera que o show acabou na pista de dança. O show rolava "normalmente", todos que ocupavam a parte de dentro do Bananada dançavam freneticamente, com os olhos captando cada segundo. Até que de repente, desce o J. Lemos pro meio da galera. Acho que o restante da banda ficou com inveja e simplesmente desceu todo mundo do palco, enquanto se tocava os intrumentos - o baterista, Augusto, enlouqueceu a produção que carregava toda a bateria para fora do palco enquanto ele continuava no ritmo da música que tocava. O resultado disso tudo? Uma roda de mosh em volta da própria banda. 

 

“A gente só quer que as pessoas se divirtam, e eu sei que elas querem se divertir também, as vezes você tem que dar o primeiro passo, quebrar o gelo, descer do palco, chamar pelo nome.. não sei, muito além da extravagância, tudo isso é pra que vire uma chave na cabeça da pessoa que tá assistindo”, diz Molho Negro.

 

 

*Participação especial no Metamorfose de André Luiz Pacheco da Silva, estudante de psicologia e psicanálise, escritor e editor do blog Tambatajá

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November 11, 2019

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