• Júlia Lee

BUCETAS INGOVERNÁVEIS

Abro os olhos entre o momento da consciência presente e a ilusão de sonhos esquizofrênicos, será que sonhava com um mundo utópicamente justo? Acordo olhando para as paredes pixadas da minha bolha particular, prezo pelo meu espaço, mas esqueço que se falta pedaços para os gritos cotidianos engasgados na janela da mente.


Eu luto para levantar da cama, é maio, o clima se encontra frio e eu nua - odeio dormir de roupa, o que me faz sentir o breve sentimento de liberdade que não tenho fora da minha casa. Esses dias que passaram eu consegui ficar pelada numa festa, foi engraçado, eu adoro ver o caos nos olhares incompreendidos pelo nu peludo de uma mulher sem rosto.


É frágile demais a heteronormatividade masculina.


Sabe, eu to cansada de ter um grito sujo na boca do estômago, visceralmente eu o encaro todos os dias, às vezes olho para o sol e me lembro que foda-se os caretas, eles também vão morrer um dia e quem sabe deixam esse planeta para xs libertárixs. Mas quando o vômito sobe para a mente incontrolável só me resta explorar a merda que saí pelo furor de meus pulmões.


EU QUERO QUE VOCÊS SE FODAM. EU VOU LUTAR PELA MINHA LIBERDADE. EU SOU LIVRE. EU FAÇO O QUE EU QUERO. ME DEIXEM EM PAZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11


Respire mulher, é só mais um dia, só mais uns olhares inconveniente, comentários maldosos, dias ruins, pessoas sujas, GRITE. Se dê o luxo do grito. Jorre a merda na cara dos caretas e goze! Goze até o final. Foda-se suas regras, eu quero mais é ser feliz.