A violência religiosa contra os índios na tela do 20º FICA

June 6, 2018

 

 O direitor Luiz Bolognesi afirma que temática revolta no exterior, mas aqui "alguns chorar, outros se emocionam". Foto: Júlia Lee

 

O olhar perdido no horizonte. O semblante sério. Ao fundo os mais variados sons da floresta. Esta imagem e som na telona do Cine São Joaquim na Cidade de Goiás nos leva para dentro da floresta amazônica e, assim, refletir sobre como os povos indígenas são massacrados por religiosos desde 1500. O homem branco continua oprimindo os primeiros moradores do Brasil. Alguns ficam tristes, outros revoltados. Este resultado alcançado pelo filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, foi além do esperado pelo diretor.

 

A ideia inicial do filme era sobre os pajés de tribos indígenas da Amazônia, mas nas conversas de pré-produção com sete chefes espirituais e curandeiros o diretor Luiz Bolognesi conheceu Perpera Saruí, da tribo Paiter Saruí. Um homem massacrado pela religião evangélica, proibido de exercer sua função de chefe espiritual e curandeiro da tribo Paiter Saruí, já que suas crenças eram consideradas “pecado e coisa do diabo”. Perpera Saruí disse ser um ex-pajé e isto mudou o rumo do filme. Um roteiro solto, construído no dia a dia de Perpera e sua família, onde prevalece a poesia das imagens e dos sons que tocam quem assiste.

 

“A aceitação do documentário aqui no Brasil e em diversos países da Europa me surpreendeu. Lá fora as pessoas ficam mais revoltadas, enquanto aqui alguns choram, se emocionam. Mas todos são tocados pela história”, disse o diretor de Ex-Pajé. Após ministrar o minicurso Roteiros para Novas Plataformas Digitais, Luiz Bolognesi saiu direto da Cidade de Goiás para o aeroporto em Goiânia rumo à Inglaterra, onde o filme participa da mostra competitiva no tema meio ambiente.

 

O filme abriu oficialmente as mostras de cinema do 20º FICA após a solenidade formal com a presença do governador de Goiás, José Eliton, e demais autoridades estaduais e municipais. O governador afirmou na noite do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, que o FICA já é uma política de estado e não uma política de governo e, portanto, terá continuidade independente de quem assuma o Palácio das Esmeraldas.

 

Apesar da abertura oficial acontecer a noite, as atividades do 20º FICA começaram na manhã do dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente com exposições de artes, Motirõ – Artes in – Comuns, que integra diversas expressões de artistas da região goiana; de fotografia, “Canadá – Fauna e Flora, de Rosa Berardo, e Trocando Olhares, de Marcelo Dionízio; e Força de um legado, uma exposição sobre os vinte anos do FICA. A noite foi a abertura da exposição das obras de Marcelo Solá, artista homenageado da 20ª edição.

 

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