• Rosângela Aguiar

Associação As Coralinas promove o empoderamento de mulheres vilaboenses

Sentadas com bloquinhos nas mãos, diversas mulheres vilaboenses e visitantes, ávidas por aprender a fazer uma iguaria da culinária tradicional da Cidade de Goiás. Quando a mestre cozinheira, dona Juraci Ferreira Aquino começa a fazer a receita, o espanto e a curiosidade sobre o fazer e o saber da mestra cozinheira. A oficina de gastronomia foi uma promoção da Associação As Coralinas e que tem uma história de empoderamento da mulher vilaboense.


Fotos: Maria Luiza Graner


A oficina realizada no Mercado Municipal de Goiás mostrou a força dessas mulheres. A associação nasceu a partir de um projeto de empoderamento e enfrentamento das mulheres promovido pela Secretaria Extraordinária da Mulher durante o governo da presidente Dilma Roussef. Em dois anos foram capacitadas 150 mulheres que conseguiram a independência financeira de maridos e pais e passaram de donas de casa a empreendedoras.


“Foi o resgate dos saberes das mãos, do patrimônio imaterial para fazer com que essas mulheres se apropriassem da cultura local. Nós pegamos Cora Coralina como inspiradora, mas não somente pela poesia, mas porque ela foi uma empreendedora nos anos 30, rompendo com uma tradição e se tornando independente”, explicou Ebe Lima Siqueira, presidente da Associação As Coralinas, que hoje conta com 50 mulheres.


A partir do projeto e depois da associação, as mulheres envolvidas romperam com a situação de dependência financeira dos maridos e pais e passaram a ser protagonistas da própria história. Hoje As Coralinas tem um espaço no Mercado Municipal cedido pela Prefeitura da Cidade de Goiás onde elas vendem os produtos e, aos poucos, se tornou um ponto de cultura. “E nós aproveitamos a visibilidade do FICA para mostrar o que a comunidade tem e faz, a cultura local produzida como o patrimônio imaterial, saberes e tradições e também fazer um diálogo entre gerações”, explicou Ebe Lima Siqueira.


A mestra cozinheira da manhã de sábado, dia 9, é um grande exemplo deste empoderamento. Ao contar a própria história, Juraci Aquino se emociona, em especial quando relembra que foi lavadeira, passadeira, doméstica, até se tornar uma empreendedora. E foi com o dinheiro do trabalho árduo que criou os nove filhos, todos “estudados”, como ela diz. Aos 73 anos ela ainda continua fazendo os deliciosos bolinhos de arroz, mas não mais para vender como antigamente.

Mas você caro leitor ou leitora, deve estar curioso/a para saber esta receita tradicional da dona Juraci. E tem uma curiosidade nesta receita. É da família dela, mas Juraci nunca acertou a receita original. Ficava seco demais, mole demais. E ela, com as mãos prendadas foi adaptando até criar a própria receita.


Bolinho de arroz



1 prato de açúcar

1 prato de leite

1 prato de óleo

1 colher (das de arroz, grande) de manteiga

1 quilo de fubá de arroz

1 prato de queijio curado ralado

1 forminha de farinha de trigo para dar liga (umas duas colheres de sopa)

2 colheres de sopa de fermento químico

3 ovos

Leite até dar o ponto




Foto: Maria Luiza Graner


Primeiro ferva o leite e o óleo. Depois escalde o fubá de arroz e mexa bem. Em seguida acrescente o açúcar e os outros ingredientes, menos o fermento, e misture bem e bastante para esfriar a massa. Vá colocando o leite até dar o ponto, que é quase líquido, sempre mexendo bem e depois acrescente o fermento. Continue mexendo e deixe descansar por alguns minutos. Depois é só colocar nas forminhas untadas e assar. Um detalhe: esta massa pode ficar na geladeira por até três meses. Quando for usá-la é só acrescentar mais leite para voltar a consistência mais mole da massa e um pouco de fermento.


O sabor do licor


Foto: Maria Luiza Graner


Fazer o próprio licor é algo que para muitos parece complicado. Mas a jornalista e licoreira Laurenice Noleto faz com maestria e mostrou ser mais simples que muitos imaginavam. Esta foi a segunda oficina promovida pela Associação As Coralinas e também despertou a curiosidades de quem passou pelo Mercado Municipal.


Ela ensinou a fazer o licor de pequi, fruto tradicional e de sabor forte muito encontrado em Goiás. E um detalhe também chama a atenção. Laurenice, também conhecida como Nonô, é uma mulher guerreira e empreendedora. Começou a fazer licores quando se aposentou da profissão de jornalista. “Não queria ficar parada”, contou. E ela foi em busca de informações para colocar os licores no mercado.


As cores da natureza


Foto: Maria Luiza Graner


Tintas naturais foram utilizadas para mostrar, durante a oficina de artes plásticas, como é possível pintar com cores fabricadas pela própria natureza. A oficina Mistureza foi uma promoção da Faculdade de Artes Visuais da UEG. Os participantes tiveram à disposição tintas feitas com jenipapo, couve, boldo, beterraba, pau brasil, urucum, açafrão.


De acordo com Jéssica Camargo Cardoso, aluna do curso de artes visuais da UEG, a ideia da oficina foi promover um resgate e reaproveitamento do que tem na natureza. “Uma forma alternativa de fazer pinturas, muito semelhante como nossos antepassados”, explicou.