Biblioteca sobre futebol para ler na Copa

Metamorfose indica cinco livros para se ler durante a Copa do Mundo. Fundamental para a cultura brasileira, o esporte bretão tocou o coração de gênios da literatura

 

Levando em consideração a importância do futebol para a cultura brasileira, há poucos livros sobre o tema escritos no país. Por conta disso, o site Metamorfose preparou uma lista com cinco obras, dentre novos e velhos clássicos, que tenham o esporte bretão como foco, passando por jornalismo, crônicas e outros gêneros textuais. Além de assistir os jogos, você pode aproveitar o clima que paira sob o Brasil nesta época e se deliciar com bons textos, escritos por gente que entrou para o seleto rol de gênios da literatura, tais como Nelson Rodrigues e Eduardo Galeano, só para ficar nesses dois ícones da prosa uruguaia e brasileira.  Sem mais delongas, conferiam as obras:

 

À sombra das chuteiras imortais

 

 

Considerado o maior dramaturgo brasileiro, o escritor Nelson Rodrigues era fanático por futebol. Na Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil ganhara seu primeiro título mundial, ele relatou o sentimento nacional em torno de Pele e Garrincha como nunca foi visto na imprensa esportiva – até hoje. Os textos que compõem À sombra das chuteiras imortais abordam a transformação do futebol no Brasil, quando o país passa pela tragédia do Maracanazzo, derrota por 2 a 1 para o Uruguai em casa, para ser a seleção mais balada e admirada do mundo, com as conquistas de 1958, 1962 e 1970. Aliás, é desse volume a famosa crônica que fala do “Complexo de vira-latas”, expressão que saiu do campo futebolístico e passou a ser empregada para explicar outros comportamentos nacionais.

 

A Estrela Solitária

 

 

 

Publicada em 1966, a obra é tida como um verdadeiro clássico do jornalismo brasileiro. O escritor e jornalista Ruy Castro passou anos mergulhado na personalidade do craque Mané Garrincha para descrevê-lo com fidelidade. No período em que foi astro do Botafogo e também personagem notável da boêmia carioca, ele praticamente inventou o drible no futebol, criando jogadas desconcertantes e fazendo seus adversários de meros patetas atrás de uma bola. Levou risos e aplausos em todos os lugares em que jogou. Ganhou a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, e 1962, no Chile – quando chamou para si a responsabilidade após confusão de Pelé, no início da competição. Por outro lado, sua vida pessoal foi conturbada e teve vários problema por conta do alcoolismo

 

A pátria em sandálias da humildade

 

 

 

Esquema tático não interessa. Sim, o escritor e jornalista Xico Sá parte desta premissa em suas crônicas esportivas. Colunista do jornal Folha de São Paulo por mais de 10 anos, contribuindo para várias editorias, inclusive o Esporte, reuniu seus principais textos e publicou-os neste livro. Resultado: uma obra que resgata a essência do torcedor brasileiro. Fã invertebrado de gente como Paulo Mendes Campos e Nelson Rodrigues, Xico traz à sua escrita o torcedor comum, aquele cara que grita, esperneia e resmunga no estádio, aquele cujo seu time do coração nunca joga mal ou perde, e sim o juiz “passa a mão”. Nesta obra, o destaque vai para a “Ouro olímpico para curar a obsessão brasileira” onde o jornalista analisa o efeito da derrota de 7 a 1 para o imaginário nacional.  

 

Futebol ao sol e à sombra

 

 

 

Em 1998, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano lançou um livro que continha várias crônicas esportivas. A obra é formada por textos que exaltam a habilidade de jogadores como Maradona, Zico e Gullit. Além disso, conta com breves descrições e contextualizações sobre o cenário político de todas as Copas do Mundo até 98. Fã do futebol brasileiro, dedicou seu lirismo em vários trechos para exaltar a bola jogada por Pele, Garrincha e tantos outros. Romântico, era fã da poesia dos grandes times. Esquerdista, não se conformava com o poderio exibido pelas emissoras de televisão, que obrigaram os jogadores – principais atores do espetáculo – a jogar ao sol de meio-dia. O astro argentino Maradona criticou essa postura e acabou caindo no antidoping na segunda rodada da fase de grupos.

 

Quando é dia de futebol

 

Vascaíno, o poeta Carlos Drummond de Andrade dedicou várias crônicas no Correio da Manhã e Jornal do Brasil ao futebol. Inclusive, é do escritor a frase “é fácil fazer mil gols, mas é difícil fazer um como Pele”. Drummond exaltava o estilo de jogo brasileiro ancorado na criatividade, mas também chorou quando o escrete canarinho perdera a Copa do Mundo de 1982, no episódio que ficou conhecido no mundo todo como “A tragédia de Sarriá”. Neste livro, descreve poética e liricamente o clima que paira sob o Brasil durante a Copa do Mundo, o que torna-se indispensável sua leitura em um momento onde os brasileiros não estão empolgados com o maior evento do planeta.

 

Os garotos do Brasil

 

 

Zico, Ronaldinho Gaúcho e Garrincha. O que eles tem em comum? A genialidade com a bola nos pés, que foi responsável por gravá-los na história do futebol. Flamenguista roxo, o escritor e biógrafo Ruy Castro sempre teve o esporte bretão como uma das coisas favoritas em sua vida. Tanto que sempre escreve sobre o assunto nas colunas que mantem nos principais jornais do Brasil. Assim como Galeano, é um romântico e nunca escondeu que gosta de futebol bem jogado. Não é à toa que neste livro relata minuciosamente o jeito com que Garrincha debochava dos adversários por meio de dribles. 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

November 23, 2019

November 22, 2019

November 21, 2019

November 19, 2019

November 18, 2019

November 18, 2019

Please reload

Posts Recentes
  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle

Apoie o jornalismo independente e contribua para que o Jornal Metamorfose continue a publicar.

Fale com a gente: sigametamorfose@gmail.com