• Thiago Dias e Júlia Lee

Resistência no encontro de culturas

Existem 10 ruelas de terra, uma rua principal, céu azul para todos os lados e o cerrado para sustentar a magia da Vila de São Jorge, município de Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. Há 20 anos a vila recebe em julho o Encontro de Culturas, onde comunidades indígenas e quilombola de todo o país se reúnem para trocar vivências, o evento sempre atraiu turistas do mundo inteiro, e este ano se espera cerca de 30 mil pessoas transitando pela vila.


O encontro acontece entre os dias 14 e 29 de julho, e a programação oficial rola na Casa Cultural Cavaleiros de Jorge (CCCJ), com oficinas e shows que resgatam as culturas tradicionais. A média de “investimento” é de 40 reais, já na aldeia multiétnica por volta de mil reais o pacote.


Na última segunda-feira (23) a CCCJ recebeu a oficina de dança e canto afro-brasileira com a cantora, compositora e arte-educadora Nãnan Matos. “Dançar é alegria, a oficina de hoje foi uma demonstração do trabalho que eu faço sobre a cultura ancestral africana”, explica a cantora, que pela primeira vez se apresentou no encontro.



Oficina Nãnan Matos. Fotos: Júlia Lee

A noite a cultura paraense invadiu o coração das pessoas que estavam na CCCJ com o show da artivista Aíla, que tem um estilo único que varia do brega ao pop, da guitarra ao carimbó, do punk ao funk. A cantora saudou os secundaristas que ocuparam suas escolas em 2016 cantando Escola de Luta. “Ocupar é a única saída, precisamos urgentemente nos inspirar nesses estudantes, eles fizeram algo histórico!”, conta a Aíla em entrevista para o Metamorfose.


Aíla ainda homenageou a rainha do Carimbó, Dona Onete, e a música Jamburama foi a saidera da banda.



Show Aíla. Fotos: Júlia Lee

O dia terminou com o show da cantora baiana Lueji Luna, uma das atrações principais do evento. “É a primeira vez que venho para a Chapada dos Veadeiros, essa riqueza de água lembra minha terra (salvador)”, conta a artista. Com um show leve e acústico, Luedji se joga entre as notas, é fácil perceber o poder que suas músicas tem ao atingir o público que dançanva freneticamente.


A cantora falou sobre seu álbum Um Corpo No Mundo durante o show, explicando a origem de sua música hit Banho de Folhas, “fui ao pai de santo, queria saber da minha carreira, casamento, filhos..Ele me receitou folhas para tomar banho”.


Luedji Luna. Fotos: Ôrue Brasileiro

“Nenhuma resposta

Mas um punhado de folhas sagradas, pra me curar, pra me afastar de todo mal

Para-raio, bete branca, asa peixe

Abre caminho, patchuli” - Banho de Folhas, Luedji Luna.