"Nós não somos máquinas!" diz Geovani Santos sobre sua nova performance

August 17, 2018

Renascendo das cinzas de seu aniversário, que é nessa sexta-feira, o artista Geovani Santos apresenta sua mais nova performance ‘do barro ao tempo’ no Cabaret Voltaire, amanhã (18), na festa Viva Arte II.

 

Os movimentos feitos, suas expressões e características vão desabrochar no ambiente onde encontra-se o espaço-tempo, pois reflete todas as pessoas que estão por aí. “A essência dessa performance é que ela não foi construída por mim, mas por todos que vão presencia-lá”, conta Geovani. Para o artista a performance tem o papel de transformar todas as dores em arte. É pegar a agressão que se sofre e ao invés de reproduzi-la, a destruir dentro de si, transmutando. Como ele mesmo gosta de dizer "mastigar as dores é como o artista faz sua arte. Transmutar na arte é transmutar a sociedade, arte é manifestação!". 

 

É fácil perceber que vivemos com medo, de ser quem somos e de criticar o que não concordamos, e principalmente de se assumir para si mesmo. Porém, Gê - como é chamado carinhosamente pelos amigos - não é o tipo de pessoa que se deixa paralisar pelo medo. "É por isso que a performance é coletiva, porque as pessoas ainda tem muito medo de mastigar suas dores" explica o artista. 

 

 

"A sociedade capitalista, branca, machista, LGBTfóbica quer impor que você não fale sobre suas dores, que você as maqueie de forma falsa. Superar suas dores não é bonito, é doloroso. Nós como performers temos a obrigação de entregar algo bonito, e performance não é pra ser bonito", diz Geovani Santos.

 

 

Um velho ditado diz que o caos é a ordem ainda não decifrada, e para Gê o conflito é o momento passageiro para a mudança, ele não quer levar paz com sua arte, e sim verdade. “Eu acho que quando você fala com verdade não se ignora a consciência que vem com ela. Nosso sistema foi construído pra te adoecer, te matar, te roubar. O que eu quero é transmitir a liberdade de poder falar sobre suas experiências e liberdade pra mim é não ter medo.", conta. 

 

Natural de Maraba, no interior do Pará, Geovani Santos se viu sufocado pela falta de voz que um LGBT negro e periférico tem em nossa sociedade. Mas ele conta sem segredo e vergonha que foi aí que encontrou sua voz, “é usar minha cor, minha classe social e da onde eu vim como meu lugar de fala.”

 

Se você, caro leitor, procura o algo mais e tem curiosidade com o sentimento que a arte pode te proporcionar não perca a perfomance 'do barro ao tempo'. Mas já te adianto, procure estar aberto, pois você será o reflexo de nossa política e de nossos corpos, procure estar aberto, pois a liberdade chega para invadir sua alma e destroçar suas convicções. 

 

E o que Geovani espera do futuro? “Eu estou aberto para o nada, só quero que as pessoas tenham voz e que encontrem seu lugar de fala”, finaliza o artista.

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