Entrevista exclusiva com a Orquestra Espontânea

October 25, 2018

 MÚSICA

 

Projeto goiana lança primeiro single em 15 dias

 

 

O projeto récem formada Orquestra Espontânea, de Marcela Rocha no vocal e composição, Luiz Clímaco no baixo e na guitarra, Cezinha nos arranjos, Rogério Pafa na produção e nos arranjos e Zup no remix, está prestes a lançar seu primeiro single "Odioso". 

 

Em momentos de instabilidade política e medo generalizado pela crescente onda fascista que invadiu o país nos últimos meses, é onde a resistência toma a cultura, cumprindo assim uma das missões da arte - se comunicar com o outro. Marcela Rocha explica que assim como a criação da banda, a música "Odioso" que faz duras críticas ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), foi criada de forma espontânea como um grito de raiva e resistência para o mundo. 

 

Marcela Rocha, cantora e compositora do projeto Orquestra Espontânea, concedeu uma entrevista exclusiva para o Jornal Metamorfose, confira a entrevista na íntegra abaixo: 

 

Marcela, você é bióloga. Como a biologia te influenciou a ver a arte? 

 

A biologia trata de tudo que é a vida né, e a vida resisti de diversas formas, quando eu estudei biologia eu percebi que todos tem uma forma de resistir até o final, com capacidade de estar e permanecer. Pra além disso, a natureza por si só já tem uma própria sinfonia natural. Tanto as árvores, o vento, os animais, então dentro disso as duas coisas estão muito atreladas.

 

Como surgiu a música "Odioso"? 

 

Eu sempre gostei muito de música, mas o surgimento dessa música foi muito do acaso, só que de um sentimento muito internalizado na gente esse momento político. De resistir, é através dessa música que eu quis demonstrar que eu vou sim resistir e que não vamos aceitar que esse cara saia impune.  O refrão da música é um grito, que fala que ele podia ferir o outro e Bolsonaro diz isso, e basicamente é o que ele faz, ele tem só os discursos de ódio e de ferir a tudo, não só o ser humano mas tudo que está sob a terra. É um grito de resistência mesmo, e através da arte eu acho que a gente vai levar pra frente, se tem uma coisa que me deixa positiva no meio desse momento caótico é ver tanta arte de resistência surgindo. 

 

Você acha que no Brasil e em Goiânia, está existindo algum tipo de movimentação que faz com que esse terreno fique fértil para o surgimento dessa resistência cultural? 

 

Sim, com certeza. Goiânia tá crescendo bastante nesse sentido, tem muita gente jovem e que trabalha com coisa nova, e idealizando novos projetos, colocando eles em ação. Tem muita coisa diferente e coisas que fogem da rotina do goiano, que é muito buteco e farmácia. Até inclusive uma rotina muito noturna, agora eu vejo as pessoas aproveitando mais a cidade durante o dia sabe? E isso é bom porque a arte e a resistência começa a habitar ambos os turnos, porque querendo ou não a gente tem uma pegada meio da roça né? E tem pessoas que curtem muito mais o dia, Goiânia é uma cidade muito bonita, com muita árvore, só que eu percebo que a gente não interage muito com a cidade e essa movimentação diurna acredito que vai ser muito positiva pra própria resistência artística. 

 

E você tem receio pelo momento que pode vir? 

 

Claro que tenho, eu sou mulher mas eu sou branca, eu não me considero fora do padrão. Eu não acredito que eu deva sentir tanto, mas eu tenho muito medo pelos meus amigos e meus parentes. Tem pessoas nesse meio meu que vão sentir muito e eu me preocupo demais. Eu acho que no meu futuro como bióloga sim, porque o dito cujo tem muitos planos que são muito negativas pra essa área. 

 

E a arte consegue expor toda essa liberdade que você tem dentro de si? 

 

A arte é a única maneira da gente conseguir colocar pra fora todo esse sentimento, é muito engraçado que é uma coisa que surge muito do estar só mas a maneira como isso vai agregando as pessoas. Isso é um embrião que mexe com várias vidas, a arte toca sentimentos, que estão muito internalizados. Desde a escola a gente aprende a não ter contato com vários sentimentos, que ficam muito profundamente no nosso ser e a arte é uma forma de colocar isso pra fora e se conectar com as pessoas. 

 

O que você quer dizer para as pessoas que vão escutar seu trabalho pela primeira vez em breve? 

 

Primeiramente #EleNão, #EleNunca, e eu espero que essa música possa sim tocar as pessoas, possa ser uma música de movimento, de resistência mesmo, porque é pra isso que ela surgiu. Resistam!  

 

 

 

 

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