Stan Lee: Morre um dos gênios que transformou a nerdice em um dos mercados mais lucrativos da última década

November 13, 2018

 

Em parceria com Jack Kirby e outros colaboradores, Stan Lee foi o responsável por criar alguns dos personagens mais famosos do mundo das HQs: Homem de Ferro, Homem Aranha, os X-Men, o Quarteto Fantástico, o Hulk, o Capitão América, o Thor, etc. Suas obras inspiraram grandes produções cinematográficas, desde o início dos anos 2000, a exemplo de Vingadores: guerra infinita; e transformou a cultura nerd em um grande nicho de mercado. Os filmes produzidos pelo MCU (Universo Cinematográfico da Marvel – em português), desde 2007, arrecadaram juntos mais de US$ 16.8 bilhões em todo o mundo e tornando-se a franquia de maior bilheteria de todos os tempos.

 

Stanley Martin Lieber, nasceu em 1922, em Nova York, nos Estados Unidos. Em 1939, começou a trabalhar em HQs com o pseudônimo de Stan Lee. Alguns anos depois, liderou a expansão da Marvel Comics, antes uma pequena divisão de uma editora, para uma grande corporação de multimídia. Foi editor-chefe e presidente da empresa antes de deixa-la para se tornar presidente emérito da editora e membro do conselho editorial. Na última década, Lee também ficou conhecido por fazer várias aparições, de caráter cômico, em filmes do MCU. 

 

No fim dos anos de 1950, a DC Comics reanimou o gênero dos super-heróis com o sucesso da Liga da Justiça da América. Em resposta, Martin Goodman, o chefe editorial da Marvel na época, deu a Lee a tarefa de criar um time de super-heróis novo. Mas ele, aos 40 anos, se achava velho para a tarefa, ficando preso a escrever histórias com super-heróis estereotipados. Sua esposa, Joan Lee, discordava e o aconselhou a tentar. Lee resolveu seguir o conselho da companheira.

 

Depois disso, ele revolucionou a indústria de quadrinhos. Com a ajuda de Jack Kirby, deu a seus novos heróis sentimentos mais humanos, e mudou seus outros personagens, antes escritos para pré-adolescentes. Agora, eles também tinham um temperamento ruim, ficavam melancólicos, cometiam erros humanos normais. Se preocupavam em pagar suas contas, chegar no horário, trabalhar e impressionar as namoradas(os), e às vezes até ficavam doentes. Com isso, super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente.

 

Quando ainda era apenas um roteirista, desafiou a organização de censura da indústria de quadrinhos americana, o Comics Code Authority. Nos anos de 1960, sua produção culminou. Como editor-chefe e principal escritor da Marvel Comics, ele criou um método de escrever quadrinhos rápido e interessante: ele escrevia o roteiro básico da história, normalmente apenas uma ou duas páginas. Baseado nesse esboço, o ilustrador desenhava toda a revista. Por fim, Lee adicionava os diálogos. Este método, que colocava toda estruturação das histórias nas mãos dos desenhistas, acabou rendendo, posteriormente, vários questionamentos sobre qual teria sido a real participação de Lee na criação de personagens da Marvel. E, para piorar, o próprio Lee aceitou esses holofotes e raramente menciona os colegas em entrevistas ou deu a eles a importância devida.

 

Mas, não se pode negar sua incrível criatividade e visão, resultante de suas experiências ao longo de vinte anos fora dos holofotes da indústria dos quadrinhos, quando estes ainda não eram tão importantes.  

 

Jack Kirby deixou esse mundo em 6 de fevereiro de 1994 e ontem, 12 de novembro, Stan Lee, infelizmente, também seguiu o mesmo caminho, aos 95 anos. Segundo foi divulgado, ele passou mal em sua casa, em Los Angeles, e foi levado ao hospital, onde morreu. Ele sofria de pneumonia e de problemas nos olhos.

 

Seus últimos meses foram recheados de polêmicas, acusações e notícias de abuso por parte de seu então assistente, Keya Morgan (que foi demitido e preso), e sua própria filha, J.C. Lee. Posteriormente, as acusações foram desmentidas pelo próprio Stan Lee e sua filha também veio a público falar sobre o caso.

 

Felizmente, mesmo entre polêmicas, sua grandiosa obra permanece eterna, tendo inspirado diversas gerações e, com certeza, inspirará futuras.

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