O gonzo no caribe

November 14, 2018

Crítica

 

 

Pai do Jornalismo Gonzo, estilo que nascera dentro do movimento contracultural sessentista New Journalism, o escritor norte-americano Hunter Thompson (1937-2005) vai fazer sua vida parecer um tédio com uma prosa ácida, simples e visceral. O romance Rum: diário de um jornalista bêbado (1998) narra as peripécias de Paul Kemp, jornalista que desembarca em San Juan, Porto Rico, para trabalhar no Daily News, um jornal americano que está prestes a fechar. A obra foi traduzida pelo escritor e editor brasileiro Daniel Pellizzari e publicada na editora gaúcha L&PM.

 

Ao mostrar um grupo de jornalistas rodeados num ambiente caótico, Thompson criou personagens que não são complexos e vivem reclamando das dificuldades que são inerentes ao ofício, fazendo com que tenhamos a sensação de estar dentro de cada linha escrita. Logo no início, para você ter uma ideia, o protagonista descreve sua sôfrega embriaguez de bebida vagabunda antes de embarcar no avião que o leva ao caribe (quem nunca passou por isso atire a primeira pedra, por favor). “A cerveja corria pelas minhas veias”, conta. Kemp pode ser considerado a metáfora de inúmeros proletas do texto que possuem esperança, inclusive este escriba.

 

Em 1960, o escritor desembarcou em San Juan para trampar na revista de esportes El Sportivo. Prestes a fechar as portas, fato que por si só evidenciava que o porra-louca da imprensa estadunidense estava se metendo numa enrascada, Thompson tirou proveito enquanto a publicação suportou a crise em que estava mergulhada. Pouco tempo depois, o jornalista foi viajar por vários países da América Central e do Sul, trabalhando como freelancer e escrevendo sobre o turbulento contexto político pelo qual as nações passavam no momento.

 

Bem, vamos voltar a esta preciosidade da literatura etílica, sarcástica e alucinante. O leitor, do início ao fim, ao menos que seja um sujeito perversamente desalmado perante as coisas da vida, gargalhará com as cômicas e hilárias descrições de Thompson, cuja escrita é altamente feroz, com humor banhado a cerveja e mergulhada ao rum caribenho.

 

Segundo romance de Hunter Thompson, Diário de um Jornalista foi escrito durante o período em que ele trabalhava na revista esportiva El Sportivo. O criador do jornalismo gonzo já tinha, àquela altura, início da década de 1960, dois anos de profissão e começava a demonstrar para o público o estilo furioso estilo repleto de críticas sociais que o consagraria durante a Guerra do Vietnã (1955-1975). Na obra, porém, ele ainda encarava o ofício com certo romantismo, o que foi reconhecido pelo autor anos depois em vários textos escritos na imprensa norte-americana e, posteriormente, reunidos em A Grande Caçada Aos Tubarões (2004).

 

Estrelado por Johnny Deep, o filme Diário de um jornalista bêbado, dirigido pelo estadunidense Bruce Robinson, chegou às salas de cinema em 2011. Apesar de Deep ser um bom imitador de Hunter, tendo-o interpretado em Medo e Delírio em Las Vegas (1997),  o longa-metragem é considerado razoável pela crítica, além de o enredo original ter sido alterado para evitar o fracasso comercial anterior.

 

Thompson, amigo leitor (a), vale a pena ser lido. Sem mais.  

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