• Júlia Lee

50 anos de barbárie

Ditadura Militar

Cordão da Mentira faz ato no teatro da USP com intervenções artísticas, pelos 50 anos do AI-5

Apresentação de teatro na TSUP, pelos 50 anos do AI-5. Foto: Júlia Lee

Em 13 de dezembro de 1968 era assinado pelo então “presidente” Artur da Costa e Silva o Ato Institucional número 5 (AI-5), há 50 anos vivemos as sombras do fechamento do congresso, dos assassinatos cometidos, as torturas, perseguição, censura. Com a necessidade de deixar viva a memória desse tenebroso período, o grupo Cordão da Mentira realizou um ato no teatro da USP na última quinta feira (13), que contou com a presença de militantes, ex-presos políticos, artistas e ativistas.


Nuvens tormentas não nos deixam ver, passaram-se 50 anos do ano em que mundo viu a ascensão da resistência política, dos anarquistas franceses, dos hippies, música psicodélica, do movimento estudantil contra as ditaduras na America Latina, de toda uma juventude contra a guerra do Vietnã, e consequentemente do período mais tenebroso da história recente, com mortes e torturas. O mundo se esvaiu entre a barbárie e a resistência. Quiçá, 2018 seja somente uma não tão distante sombra da repetição da história. Marielles estão morrendo, militares assumindo o poder, a ultra-direita fascista em ascensão ao redor do mundo…


Talvez por isso, o local escolhido para o ato trouxe um significado simbólico que marcou profundamente diversas falas de ex-presos políticos, pois alguns meses antes do AI-5 ser instaurado, ocorreu a Batalha da Maria Antônia. Palco de grandes conflitos estudantis, no dia 2 de outubro de 1968 estudantes de direita do Mackenzie colocaram fogo no prédio da USP (que fica do outro lado da rua) com coquetéis molotov. Após dois dias de treta, o secundarista José Guimarães foi assassinado, e diversos estudantes foram presos.


Foto da Batalha da Maria Antônia


“A ditadura nunca acabou na periferia” diz uma das mães de maio, no ato. Pretos, pobres e moradores da periferia morrem cotidianamente pelas mãos do estado burguês. Tentando representar uma das raízes do problema, uma das peças teatrais que aconteceu no ato mostrou a pátria brasileira parindo um fascista pelo útero do nacionalismo. Além de fala de militantes e ex-presos políticos, aconteceu também apresentações como a do Cabare Feminista, que fez questão de saudar todas as mulheres revolucionárias, como as campesinas e as anarquistas, socialistas e as próprias mães de maio.


"Neste momento em que nosso país ameaça regredir 50 anos e voltar aos tempos da ditadura civil-militar, que gente nossa começa a tombar pelas ruas assassinados pela covardia da extrema direita, convidamos a todos para dizer mais uma vez em alto e bom som: Não aceitamos mais ditaduras, genocídios e torturas em nome de uma elite assassina”, destaca a organização do evento, Cordão da Mentira.

Fotos do ato pelos 50 anos do AI-5 na TUSP. Fotos: Júlia Lee