Filmes goianos movimentam Mostra de Cinema

January 22, 2019

Tiradentes

 

Sintonizados com tendência mundial, produções chamam atenção do público e da crítica. Longas Vermelhas e Parque Oeste são aguardados

 

Diretores no Cine-Praça na noite de ontem, quando foi exibido o curta-metragem goiano Kris Bronze. Foto:  Leo Lara/ Universo Produção

 

Marcus Vinícius Beck

Enviado especial a Tiradentes (MG)

 

As produções audiovisuais goianas estrearam na Mostra de Cinema de Tiradentes e provocaram elogios no público que acompanhou as exibições dos curtas-metragens O Cego da Casa Amarela, de Joaquim Nadar e Lemuel Gandara, e Kris Bronze, de Larry Machado. Com narrativas que rompem barreiras impostas pela indústria cultural, os filmes trouxeram à tona elementos que dão uma cara própria ao cinema goianiense e chamaram a atenção: o primeiro foi narrado em off praticamente sem imagens, enquanto o segundo possui forte pegada humorística e social.

 

Sintonizado com as tendências mundiais, os filmes goianos chamaram a atenção dos cinéfilos por conta do alto nível estético e narrativo. Kris Bronze não fica preso em mostrar uma parte de Goiânia que é pouca acessível ao público, como o famoso Setor Central e os elitizados Setor Bueno e Marista, e apresenta – parafraseando o escritor carioca Nelson Rodrigues – a cidade como ela é para a maioria da população. Já o O Cego da Casa Amarela chega a fazer, em boa parte do filme, uma espécie de anti-cinema com um roteiro focado na memória de João de Deus, o que dá um quê poético à obra.

 

De Fabrício Cordeiro e Luciano Evangelista, o curta Guará estreou ontem no Cine-Praça e assustou o público com imagens que retratam o horror através de um lobisomem-guará que aterroriza as ruas da capital. Evangelista afirmou que o filme também questiona as autoridades que possuem grande prestígio na sociedade. “Enfrentamos isso com sangue e horror, numa brincadeira de um monstro pelas ruas de Goiânia”, diz. O ator Rodrigo Cunha encena o animal e a edição de som ficou por conta de Vasconcelos Neto, o que causou um efeito ainda mais animalesco.

 

O diretor Larry Machado, premiado autor de Kris Bronze, disse que seu filme é sobre festa e diversão, mas também dialoga com assuntos sócio-políticos que estão em alta na Mostra. Segundo ele, o espaço de bronzeamento que a protagonista possui no Bairro Floresta, na região noroeste da capital goianiense, é uma forma de compreender os preconceitos que acometem as mulheres diariamente nas grandes cidades brasileiras. “O filme proporciona um pouco de entendimento sobre Goiás, sobre Goiânia, sobre as mulheres, saindo do eixo Rio-São Paulo”, explica Machado.

 

Em conversa com o Jornal Metamorfose realizada no Centro Cultural Sesi Minas, o professor de audiovisual da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e curador da Mostra de Cinema de Tiradentes, Pedro Maciel, explicou que a produção goiana é vasta e diversa. Para ele, a qualidade do cinema feito em Goiás tem aumentado a cada ano e isso é refletido tanto no Goiânia Mostra Curtas quanto no festival mineiro. “O filme Kris Bronze, por exemplo, mexeu comigo no sentido de pensar como o cinema dá conta de representar o macro fazendo um recorte mínimo”, diz o estudioso.

 

Aguardo e coletivos

 

Uma das obras mais aguardadas por críticos de diversos veículos de comunicação do Brasil, o longa-metragem Vermelha, do diretor Getúlio Ribeiro, vai estrear amanhã à noite na Mostra Aurora. O longa, feito com grande quantidade de imagens caseiras,  mostra dois homens que viajam até a zona rural em busca de uma antiga raiz atingida por um raio. Enquanto eles a extraem, Beto auxilia Gaúcho na reforma do telhado de sua casa, que passou a ser considerada uma ameaça por conta de dívidas em atraso.

 

Outra obra bastante aguardada pelo público é documentário Parque Oeste, da diretora Fabiana Assis. Selecionado para a Mostra Olhos Livres, que reúne seis longas-metragens com semelhanças estéticas anti-mercado, o filme mostra as vítimas da violação por parte do Estado na truculenta desocupação do Setor Parque Oeste, em 2004. A história gira em torno de uma mulher que reconstrói sua vida tendo como norte a luta por moradia e, de acordo com a diretora, em entrevista ao Metamorfose no último dia 15, o filme ainda tem “imagens da vida dessas famílias já no Setor Real Conquista, que é um bairro cheio de problemas”.

 

As produtoras goianas Bebop Filmes e Dafuq Filmes atuam em projetos de maneira colaborativa com o objetivo de agitar o audiovisual goiano. Ambas dividem o espaço de trabalho na capital goianiense, fazendo com que seja necessário haver diálogo e sinergia. Na Bebop, atua o diretor e montador Luciano Evangelista. Já a Dafuq é um coletivo formado pelos profissionais Larry Machado, Tothi Cardoso, Getúlio Ribeiro e Cecília Brito. Tais iniciativas mostram que Goiânia possui tradição na produção audiovisual e na exibição de filmes em festival.

 

 

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