• Marcus Vinícius Beck

Som revoltado

Crítica/ música

Da esquerda à direita: Danilo Brito (Guitarrista) Ângela Vitorette (Vocalista), Gabriel Vitorette (Baixo) e Filipe Aguirre (Bateria). Foto: Priscilla Aguiar


Basta você ouvir os primeiros acordes tocados pelo guitarrista Danilo Brito para pensar “que som foda da porra”. Essa foi justamente minha primeira impressão ao deparar com a sonoridade da banda de rock goiana Guerrilha Armada dos Coelhos Mutantes, um sopro de otimismo na caduca cena underground da Capital, cada vez mais mergulhada numa monotonia que deixaria o feroz Paul Kemp (personagem do romance “Diário de um Jornalista Bêbado”) mais ‘de boa’.


Minha percepção musical fodeu de vez quando, bêbado tal como o escritor norte-americano Ernest Hemingway em Paris na década de 1920, assisti uma apresentação deles no Cabaret Voltaire, na Vila Itatiaia. Era uma festa organizada pelo coletivo de mídia independente Metamorfose - talvez o rolê tenha sido em maio ou julho do ano passado, não me lembro com exatidão a data - e o grupo fechou com chave de ouro aquela noite.


Para você ter uma ideia, sinto até hoje a voz visceral de Ângela Vitorette com a sincronia hermeticamente guiada pela linha de baixo orquestrada pelo músico Gabriel Vitorette (irmão da musa que toma conta palco) entrando pelos meus tímpanos etílicos. Estava rolando uma versão energizada e menos careta da música “Até Quando Esperar”, dos brasilienses do Plebe Rude. Pensei, caralho, eis que encontramos a mudança necessária.


Mas, cara, acredite: isso tudo que escrevi até aqui fica melhor ainda quando a energia promovida pelos músicos do Guerrilha é experimentada in loco. Mas se você por um acaso está pensando que o repertório deles é composto apenas de covers nada originais, como todo sujeito (a) que tem resistência ao novo, sou obrigado a intervir com o objetivo de evitar uma injustiça de ordem essencialmente roqueira.


Vamos lá. O set list da Guerrilha (sim, os mais chegados podem chamá-los carinhosamente apenas pelo primeiro nome, sem problemas) também conta com composições autorais com pegada que mistura a musicalidade estrangeira com gente do calibre de Os Mutantes. Aliás, para sua informação, o quarteto lançou o single “Às flores do Cerrado” no mês de dezembro – cujo clipe foi produzido em parceria com o Jornal Metamorfose.


Assim, após esta retórica jornalística apaixonada, não há como esperar nada menos do que originalidade na apresentação que o grupo vai fazer neste sábado (2) durante a 13ª edição do Grito Goiânia, que será realizado no Centro Cultural Martim Cererê. Marcado para subir ao palco às 18h15, os guerrilheiros mutantes prometem mostrar para o público a que vieram e explanar que a mudança – seja em qual ramo estiver sendo ensaiada – é de suma importância.


Para isso, provavelmente devem tocar faixas já tradicionais em seus shows e incluir algumas novidades. Musicalmente, arrisco a palpitar, tais escolhas - como “Dê um Rolê”, dos Novos Baianos - fazem um enorme sentido e dão aos roqueiros de carteirinha mais uma galera que, não tenha dúvida, faz jus à alcunha de rock and roll em terras vistas como ‘paraíso na produção de talentos’ pela indústria fonográfica (ou seria pornográfica?).


Enfim, o que insisto em salientar neste rabisco é que o rolê a ser feito é colar para prestigiar uma banda que vem tentando caminhar com autenticidade no mundo da música. Guerrilha é rock, é tropicália, é raiz, é sertão. Porque não há como fugir dessa diversidade que faz parte da nossa formação cultural, não é mesmo.


Então, meus caros, só vamos.


Serviço:

Guerrilha Armada dos Coelhos Mutantes

Quando: Sábado, dia 2 de março

Onde: Martim Cererê

Horário: 18h30

Entrada: Quanto Vale o Show (a partir de R$ 5)