Dire Straits Legacy leva público goianiense ao delírio com clássicos

April 16, 2019

Crítica

Em turnê pela América Latina, banda que homenageia icônico grupo inglês tocou com maestria hinos que marcaram décadas de 1970 e 1980

 

Dire Straits Legacy. Foto: Divulgação

 

Basta você ouvir a primeira nota soprada pelo saxofonista Mel Collins, 71, para pensar “só quem já sentiu o doce tesão do amor é capaz de compreender o som”. Confesso que essa foi justamente minha impressão logo quando a banda britânica Dire Straits Legacy subiu no último sábado (13) ao palco do ginásio Goiânia Arena para tocar hits que embalaram diversas momentos de diversas pessoas durante as décadas de 1970 e 1980.

 

Na faixa dos 60 e 70 anos, o quarteto parece ter dormido por décadas numa banheira cheia de formol. Isso tudo foi temperada pela voz do cantor e guitarrista Marco Caviglia (fã de carteirinha do compositor Mark Knopfler), idealizador do projeto que homenageia a Dire Straits. Ao subirem no palco, para prender a atenção do público, mandaram uma introdução essencialmente instrumental digna dos grandes da história do rock clássico.

 

O show abriu a oitava apresentação da turnê Dire Straits Legacy Tour South America 2019 - antes de apresentar-se na capital tocaram na Argentina, Chile, Belo Horizonte, Florianópolis, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Para a apresentação em solo goiano, o grupo quase não fez alterações no setlist que habitualmente leva à estrada, e cada riff de clássicos, como “Money For Nothing” e “Walk of Life”, levaram o público ao delírio .

 

Além de ser uma das maiores hitmakers do mundo, a Dire Straits - ainda que a formação seja de ex-integrantes do icônico grupo inglês - sabe muito bem como costurar um roteiro de show. Nos primeiros 90 minutos no palco desfilaram canções com pegada romântica, tal como “Romeo and Juliet”, “Tunnel of Love”, e o que mais se ouviu foram gritos apaixonados da galera como “puta que pariu, que show foda”.

 

Óbvio que após essas declarações do público era praticamente certo que o show seria um sucesso dali para a frente, mas os urros mesmo surgiram quando Phil Palmer mandou os primeiros acordes de “Brother And Arms”, música de sucesso em 1985, obrigatória em qualquer apresentação ingleses. Para os admiradores mais antigos, certamente esse foi um dos momentos mais incríveis da apresentação da Dire Straits Legacy.

 

A apresentação seguia agradável e vibrante, conduzida por algumas frases pontuais em português que Marco Caviglia fazia um baita esforço para falar. Então, após cerca de 15 músicas que fizeram valer a grana investida no ingresso, eis que vem, como uma pancada na cara de um sujeito atrás de briga na rua, alguns clássicos indispensáveis. Creio que nem preciso descrever o impacto que tais canções tiveram no público.

 

Além desse aumento gradativo na voltagem do show, alternando baladas excelentes para curtir a dois com a companheira (o) abraçados, os britânicos acertaram em cheio ao deixar os maiores clássicos do grupo para o bis. Nesta parte, não houve nenhuma surpresa e, quando o quarteto resolveu sair do palco, o público resolveu pedir mais uma (em bom português mesmo). O retorno aconteceu com elegância e genialidade.  

 

Para quem já assistiu shows da última turnê da Dire Straits Legacy pelo Brasil em 2017,  a constatação de que o tempo parece ser amigo de Alan Clark, Phil Palmer, Danny Cummins e Mel Collins ficou bem explícita à medida que o espetáculo ia chegando ao final. Para quem nunca tinha visto eles no palco, sem dúvida será uma noite para se lembrar por anos e anos.

 

Experiência

 

Formação clássica da Dire Straits com Mark Knopfler nos vocais. Foto: Reprodução

 

Normalmente um jornalista que se propõe a fazer uma crítica musical põe o ponto final no texto quando o show acaba, mas eu preciso dizer o seguinte: minha percepção quanto a música (a mãe de todas as artes) mudou drasticamente no momento em que descobri o som da Dire Straits. Lembro-me de ouvir da primeira à última música o clássico “Brother And Arms”, de 1985, considerado um dos melhores discos de rock de todos os tempos.

 

Para você ter uma ideia, sinto até hoje o timbre encorpado hermeticamente da voz de Mark Knopfler entrando em meus ouvidos. Era um rapaz que morava no interior do Paraná nesta época e lia coisas com “Pergunte ao Pó”, do escritor norte-americana John Fante, e tinha vários sonhos na cabeça. E a trilha sonora contava com os clássicos de Dire Straits, que fizeram sentido anos depois, após eu sentir a dor da paixão.

 

Mas, cara, acredite: tudo isso que relatei até aqui fica bem melhor quando sentimos a energia promovida pelos fodasticos músicos do Dire Straits Legacy ao vivo. É outra história. Se por um acaso você está pensando que não valia a pena prestigiar o show de uma galera que tem como propósito homenagear uma das bandas que deixaram o nome na história do rock, sou obrigado a intervir com o objetivo de evitar uma injustiça artística sem precedentes.

 

Vamos lá. O set list escolhido para guitar o show do Dire Straits Legacy contou com composições épicas que misturaram a veia roqueira inconformada (coisa que pode ser constatada por meio dos riffs como “Walk Of Life”) com melodias românticas temperadas pela guitarra maravilhosamente sensual de Phil Palmer e pelo saxofone de Mel Collins. É um daqueles momentos que queremos apenas eternizá-los como um verso do poeta William Blake.

 

Enfim, senhoras e senhores: a Dire Straits Legacy merece todo o respeito do público por se propor a manter vivo o legado da banda setentista. Coisa que poucos irão dar conta de fazer, e se não são eles, quem irá fazê-lo? E, meus caros, para o bem da música de qualidade, quem deve tomar frente nessa iniciativa são os músicos que vimos no palco do Goiânia Arena. Simplesmente foda.

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